Jogo para o gasto

Antero Greco

21 de junho de 2015 | 21h03

Sabe aquele jogo que seu time vence e você diz “Ok”, sem maiores complementos? Pois foi o que aconteceu, na noite deste domingo, nos 2 a 1 do Brasil sobre a Venezuela. A seleção espantou o fantasma da desclassificação precoce na Copa América, segue em frente, pega o Paraguai e Dunga ganha mais tempo para montar um time para as Eliminatórias. E só.

Nada contra respeitar adversários. Mas era exagero ficar com medo da Venezuela. Calma lá, não passa de sparring na região, mesmo que tenha evoluído. Não é para tirar o sono de quem tem currículo que dispensa comentários. Mesmo que o momento não seja dos melhores aqui.

Pois o resultado foi construído sem grande esforço, muito menos preocupações. Vá lá que Fedor – sei, sei, trocadilho fácil – deu alguma esperança com o gol aos 39 minutos. Mas, na boa, os venezuelanos não incomodaram. Raramente chegaram ao gol de Jefferson.

A seleção determinou o ritmo, controlou o jogo, fez os gols em cada tempo (Thiago Silva e Firmino) e ainda se segurou. Fosse mais atrevida, como é de se esperar, teria chegado a diferença maior. Um pouco de confiança e abuso não fazem mal. Ao contrário, fazem falta.

A ausência de Neymar não foi sentida. E, cada entre nós, seria o fim da picada não ganhar da Venezuela por causa da suspensão do rapaz. Dunga teve chance de observar como o time se comportaria e viu que  Robinho deu conta do recado. Justo o veterano é que se saiu bem.

A defesa não teve trabalho além do normal. Daniel Alves e Filipe Luís jogaram para o gasto, assim como Thiago e Miranda. No meio, Elias e Fernandinho ficaram presos ao trabalho de proteção, enquanto William e Philippe Coutinho poderiam mostrar mais. Firmino não é craque, mas mantém regularidade e carimba para o gol com frequência.

Enfim, um Brasil que não encanta – nem espero isso. Mas que também não decepciona. Se não exigirmos muito, está de bom tamanho. Eis o risco: já nos conformamos com pouco.