Kaká de volta. Mistérios da seleção…

Antero Greco

27 de setembro de 2012 | 18h41

Seleção brasileira é um mistério cada vez mais impenetrável. Coisa do outro mundo. Daqui a pouco, não adianta ser torcedor nem analista esportivo para compreendê-la. Melhor chamar exorcista, pai de santo, paranormal, o padre Quevedo, um médium, benzedeira, sei lá quem. Tem coisa que não faz sentido e não adianta escarafunchar que não haverá a luz.

Quer exemplo quentíssimo? O retorno de Kaká. O moço está fora da seleção desde o fim da era Dunga. Só foi lembrado por Mano Menezes uma vez, no ano passado, e não pôde atender, por estar em tratamento naquela ocasião. Antes e depois, inúmeras vezes o técnico o ignorou.

Sempre que o tema Kaká era abordado, se saía com alguma explicação naquele tom de voz inalterado que não soa natural, produto de midia training dos bravos. Não precisa ter o mau humor do Dunga nem do Muricy, nem ser um robô. Sei lá, desconfio que o Mano sofre de gastrite e disfarça. Não é possível dar as respostas sempre no mesmo tom… Caramba, de vez em quando mostrar emoção faz bem, mesmo que não soe simpático.

Mas, voltando ao tema. Kaká, até dez dias atrás, estava fora dos planos, porque não jogava. Não sou em quem diz isso, mas o Mano. Basta ver entrevista que deu até em Goiânia, antes do jogo com a Argentina. Não chamava porque não tinha ritmo de jogo, uma pena, etc e tal.

Daí, Kaká joga contra o Millonarios, faz três gols num amistoso meia-boca e por coincidência, por ironia, por qualquer coisa do gênero, aparece na lista. Mano mesmo advertiu que a lembrança não se deu por causa disso, mas porque tem acompanhado a dedicação dele nos treinamentos. Isso todo mundo sabe. E a questão do ritmo de jogo onde entra? Até acredito que não tenha sido por causa do jogo com os colombianos, pois a CBF agora exige a lista dois dias antes de ser divulgada.

Outro ponto relevante: onde entra a importância do campeonato brasileiro? A Série A está um pega pra capar tremendo, na briga por título, por vaga na Libertadores, para fugir de rebaixamento. E ainda assim nove jogadores de equipes daqui foram chamados para enfrentar Iraque e Japão! Brincadeira de mau gosto.

Já que não querem parar o campeonato, então que chamassem só atletas que estão na Europa. Lá os campeonatos têm pausa e a turma fica disponível para seleções. E o que não falta é brasileiro espalhado pelo mundo. Melhor que deixassem o pessoal daqui em paz e ligado nas batalhas domésticas. Mas CBF e os próprios clubes parecem se lixar para os problemas locais.

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