Lição de ouro de Oruro: a impunidade vence

Antero Greco

27 de agosto de 2013 | 17h55

Durante meses houve movimentação para livrar o grupo de 12 corintianos detidos na Bolívia, após a morte de Kevin Espada. A alegação era a de que se tratava de arbitrariedade, pois um menor de idade assumiu, em público, a responsabilidade por ter atirado o sinalizador assassino. Os outros pagavam por aquilo que não fizeram.

A turma foi liberada, após visita de políticos, de diplomatas e pressão do governo brasileiro. Os 12 discípulos fiéis estão livres de qualquer acusação e podem movimentar-se como cidadãos normais nesta abençoada terra de Santa Cruz. A morte do Kevin é problema da família dele e da justiça da Bolívia.

Daí, o Estadão desta terça-feira prova que um dos empolgados briguentos de domingo, no intervalo de Vasco x Corinthians, era um dos coitados que passaram a pão e água em cárcere em Oruro. Ele parecia bem disposto e com energia para enfrentar polícia e vascaínos.

O que aconteceu com esse moço? Nada. Vai ver preencheu um termo de responsabilidade, foi liberado e voltou para São Paulo sem ser molestado. E talvez se prepare para dar uma força para o Corinthians amanhã contra o Luverdense, no Pacaembu.

Quem sabe não arrume um sósia “dimenor” para mostrar que tudo não passou de engano, de uma “barriga”, como se diz quando um jornal dá bola fora? Tese maluca, mas não me surpreenderia nada. Sem contar que não há denúncia, ainda, nem flagrante.

A impunidade segue, sempre com a mesma origem, e o discurso oficial está mais para engana-trouxa do que para manifestação de princípios. Hipocrisia sem fim.

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