Lista razoável. Mas Tite tem crédito…

Antero Greco

22 Agosto 2016 | 14h43

Enfim, saiu a primeira lista de convocados de Tite para a seleção. Depois de mistério, por causa da Olimpíada, nesta segunda-feira foi divulgada a relação dos jogadores que enfrentarão Equador e Colômbia, no começo de setembro, pelas Eliminatórias da Copa de 2018. Com novidades, em relação às de Dunga, e com prestígio para a turma do ouro nos Jogos (sete nomes lembrados).

A primeira constatação, e óbvia, é a presença de diversos jogadores com os quais o treinador trabalhou mais recentemente. Ou seja, que têm alguma ligação com o Corinthians. A gente pode estranhar, mas isso é normal. Técnicos costumam apegar-se, sobretudo em início de projeto novo, a gente que conhece de perto. Porque tem mais referência, sabe como aproveitar esse pessoal para retorno imediato, e por confiar.

Isso explica, por exemplo, a presença de Paulinho. O meio-campista teve papel fundamental em conquistas corintianas, mas sumiu no mundo desde a passagem insossa e sem brilho no futebol inglês. No Mundial de 2014 teve desempenho discreto e desapareceu na China. Para o público, menos para Tite, que o considera útil. Da mesma forma, como permaneceu intacto o prestígio de Gil e Renato Augusto, outros dois ex-alvinegros que debandaram para o lado oriental. (Eles eram chamados por Dunga também.)

Taison é outro de quem mal se ouve falar há bastante tempo. Faz parte da legião de brasileiros regularmente contratados pelo Shakhtar Donetsk. Entra treinador, sai treinador na CBF, e o clube ucraniano sempre tem ao menos um brazuca lembrado. Incrível! Tite garante que o ex-Inter está batendo um bolão e terá funções importantes no grupo. A conferir.

No gol, Grohe e Alisson não surpreendem, já Weverton, sim. O goleiro do Atlético-PR ganhou pontos com a participação no torneio olímpico. A presença dele reforça a sensação de que o preferido teria sido Prass, se não fosse a contusão que o afastou até o ano que vem.

Nas laterais (ou alas, se o freguês preferir), os costumeiros Marcelo, Filipe Luiz e Daniel Alves, agora na Juventus. Além de Fagner (Corinthians) como novidade. Dani Alves pode até ser capitão. Entra nessa mais pelo conjunto da obra e pela falta de nome forte no setor.

Na zaga, Gil e Miranda eram nomes certos, enquanto Marquinhos e Rodrigo Caio se beneficiaram pelas atuações no Rio.

No meio-campo, várias figuras manjadas, mas destaque para Rafael Carioca, do Atlético-MG, um dos promovidos por Tite. Casemiro, Philippe Coutinho, Willian têm aparições constantes. Lucas Lima, do Santos, ganha chance. E caiu por terra o boato de que Ganso estaria nessa, como divulgou na semana passada um jornaleco ligado ao Sevilla.

Na frente, o trio da Olimpíada – Neymar a puxar a fila, junto com Gabigol e Gabriel Jesus. Sinal de que Tite aposta na juventude, na frente.

Senti falta de Wallace e Luan, dupla do Grêmio que foi muito bem na Olimpíada. Thiago Lima, do Santos, é outro que merecia oportunidade. Espero que o trio esteja na mira do técnico.

Podem ser feitos reparos na convocação. Mas, vá lá, por ser pontapé inicial que se dê um crédito ao “professor”. Sem prevenção, sem preconceitos. Para ver no que vai dar.

E espero que dê em coisa boa, porque a medalha de ouro nos Jogos não foi o ponto de chegada da redenção do futebol brasileiro. Mas ponto de partida.