Lucas, ou quando a ousadia resolve

Antero Greco

15 de junho de 2012 | 00h53

Há jogos enroscados, em que um time sofre pressão, leva  sufoco em casa, tem um a menos, começa a ouvir a torcida a pegar no pé e sente os nervos à flor da pele. Enfim, enfrenta cenário adequado para tudo dar errado e só aumentar a temperatura interna. Mas, por um lance de atrevimento individual, o nó se desfaz, a vitória vem e, se não há paz, sobrevém  pelo menos a trégua.

Esse quadro complicado se aplicaria à perfeição ao São Paulo, no primeiro duelo com o Coritiba, pela semifinal  da Copa do Brasil. Estava pronto para o tempo fechar no Morumbi, quando Lucas pegou a bola, driblou, driblou, abriu espaço e soltou o chute forte, cruzado, rasteiro: 1 a 0, aos 43 minutos do segundo tempo e vantagem para o confronto de volta. Agora, com empate o time paulista vai à decisão.

Lucas reviveu uma das verdades mais antigas do futebol, a de que o talento destrói estratégias e resolve paradas complicadas, mesmo num esporte essencialmente coletivo. No momento do gol, o clima andava esquisito no estádio, o tricolor tinha um a menos e arrastaria para Curitiba a pressão para garantir a vaga.

A iniciativa do rapaz, antes criticado por tentar dribles demais, acalmou os ânimos. Não foi por acaso que levou um forte abraço de Emerson Leão. O ‘fominha’ livrou a cara do treinador, dos companheiros e sobretudo de Paulo Miranda, o zagueiro que a diretoria olha de esguelha e que, em dois lances estabanados, tomou amarelo e vermelho.

Um jogo em que o São Paulo teve dificuldade tremenda diante de um Coritiba ajustado, que mandou uma bola na trave (Everton Ribeiro) e que foi eficiente na marcação. Os paulistas por ironia melhoraram quando estavam com dez, tiveram chances para definir (uma delas com Luís Fabiano mandando bola no travessão) e só foram respirar aliviados instantes antes do apito final.

A disputa, no entanto, continua aberta. Como está indefinido o duelo entre Palmeiras e Grêmio. Mas uma final doméstica, a esta altura, não é nada fora de propósito.

 

 

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