Maicosuel e o preço de uma cavadinha errada

Antero Greco

03 de setembro de 2012 | 20h44

Não sei se você acompanhou, mas na semana passada Maicosuel, aquele que defendeu o Botafogo até recentemente, se envolveu em episódio bizarro na Udinese, sua nova equipe. O time italiano havia empatado com o Braga por 1 a 1, pela fase preliminar da Copa dos Campeões da Europa, e a vaga seria definida nos pênaltis. O jogo foi no estádio Friuli.

Foram nove cobranças certas, até que chegou a vez de Maicosuel fechar a primeira série. Ele esperou o apito, caminho gaiatamente para a bola, olhou o gol e… deu uma cavadinha. O chute saiu fraquinho, raquítico e previsível. Foi morrer nas mãos do goleiro Beto, que nem se mexeu para fazer a defesa mais fácil da carreira dele. Vitória por 5 a 4 para os portugueses.

A conta para a Udinese veio na hora: prejuízo de quase 8 milhões de euros, prêmio garantido para todas as equipes que se classificam para a chave principal da competição. Como consolação, restou-lhe vaga na Liga Europa, que não tem o mesmo charme, muito menos o mesmo rendimento financeiro, da outra Copa.

Para Maicosuel, a conta veio nesta segunda-feira, ao ter seu nome fora da lista dos inscritos na Liga Europa. Foi o recado claro da Udinese para o espertinho, que será utilizado apenas nos torneios domésticos – o Campeonato Italiano e a Copa Itália. Quer dizer, mal desembarcou e já queimou o filme por lá. A ponto de ser obrigado, também, a gravar vídeo, em que pediu desculpas aos torcedores e aos companheiros pela mancada.

Gosto de atrevimento, me agradam jogadores abusados. Esses são os que fazem o futebol sair do lugar-comum. Mas inteligência, picardia e malandragem muitas vezes se manifestam no feijão com arroz bem temperado. O momento para Maicosuel, que mal conhece Údine e talvez o caminho para o centro de treinamento, era o de fazer o simples e certo. Encher o pé e mandar a bola para o gol. Era a hora em que não se podia errar, de forma alguma.

Se ele tivesse uma história (como os boleiros gostam do termo…) na Udinese, se em seu currículo houvesse uma infinidade de pênaltis bem cobrados, um monte de gols e passagens memoráveis, a escorregada pegaria menos mal. Mas, puxa vida, chegou outro dia e já foi assim folgado?! E ainda se tivesse a categoria de um Zico, pra ficar num ídolo da Udinese…

Agora nem no banco ficará, e terá de ralar muito para apagar essa bola fora, ou melhor, essa bola nas mãos do goleiro…

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