Marin garante Mano. Por ora…

Antero Greco

21 de agosto de 2012 | 19h24

José Maria Marin é político por vocação e carreira. E político, você sabe, adora uma retórica, uma encenação, um dizer muito às vezes sem falar nada. É o tal do jogo de cintura que aprende desde cedo como fundamental para negociações e sobrevivência.

Pois vejo como reação de político a declaração do presidente da CBF de que Mano Menezes está prestigiado no cargo de técnico da seleção. O cartola elogiou hoje, mais uma vez, o trabalho do treinador, disse que o projeto está no caminho certo e que a avaliação do desempenho nos Jogos de Londres foi positiva.

Pronto, postura suficiente para aquietar o gaúcho e tê-lo no comando do Brasil no Mundial de 2014? Não boto a mão no fogo. E o próprio Marin abriu a brechinha, ao afirmar que não responde por ações no futuro, mas apenas no presente, ao ressaltar que dará suporte suficiente para que a rotina atual seja mantida com tranquilidade.

Marin agiu com bom senso e esperteza. Não adianta nada levantar lebres agora, porque o ano está perto de acabar, no que se refere a atividades da equipe nacional. Faltam amistosos com África do Sul e China, dois adversários sem tradição, e os duelos caça-níqueis com a Argentina, no tal do Desafio das Américas, para cumprir acordos publicitários.

Não compensa mexer em nada. Uma coisa, porém, é certa: Mano continua sob observação. Sem contar que há jogo de bastidores nessa história. O treinador não depende apenas dos resultados, mas também da força política de seu amigo e benfeitor Andrés Sanchez, o diretor de seleções. O prestígio de um está, de certa forma, vinculado ao do outro.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.