Medo bate à porta no Corinthians. Vai sobrar pro Tite?

Antero Greco

30 de agosto de 2011 | 12h53

A tensão começa a pegar, no Corinthians. A liderança permanece, mas a distância folgada em relação aos demais concorrentes virou pó, pois Flamengo, São Paulo, Vasco, Botafogo e também Palmeiras estão nos calcanhares alvinegros. O título parecia barbada; agora, é uma grande incerteza. Há tensão no Parque São Jorge, cenário conhecido por qualquer torcedor.

E o que acontece em momentos como este? Acertou quem disse que a cabeça do técnico está a prêmio. É a resposta mais óbvia. Tite perde apoio no clube na mesma proporção em que o time desperdiça pontos por aí. O retrospecto das últimas nove rodadas – nove pontos apenas – pesa muito na opinião daqueles que empurram para o treinador a responsabilidade pela queda acentuada de desempenho. A saída adivinha qual é? Isso, troca de comando.

Não sou dos que supervalorizam treinadores, tampouco estou no time dos que desprezam o trabalho deles. Os ‘professores’ são importantes na estrutura de um time de futebol, acertam, erram, têm lampejos decisivos, pisam na bola, chutam o balde. Faz parte do estereótipo da profissão certa dramaticidade, um pouco de encenação. Nem sempre administram bem um grupo (como acontece com qualquer chefe), cobram, são cobrados.

Tite se encaixa nesse quadro. Não é um gênio da raça, como fazia supor o aproveitamento superior a 90% nas dez rodadas iniciais, nem um enganador, como tentam mostrar os que esperam sua saída a qualquer momento. Está na média, como o próprio Corinthians e como muitos de seus companheiros de profissão.

Não me convence a história de que “perdeu o controle do grupo”. Perdeu em que sentido? Disciplinar? Não consta que haja casos graves no elenco. Tático? O Corinthians tem esquema simples, mas funcional. Moral? Não há registro de atitudes inconvenientes do treinador. A questão é a seguinte: o time não é tão espetacular como se supunha, tomou choque de realidade a partir da derrota para o Cruzeiro, viu crescer a sombra da concorrência. De qualquer forma, se trata do técnico do líder do campeonato e não do lanterna.

Mas o medo do fracasso bateu à porta alvinegra – e esse medo leva a medidas extremadas. Talvez não seja amanhã, contra o Grêmio. Mas, salvo reviravolta (ou gente disponível no mercado), o destino de Tite está traçado, no filme mais repetido do futebol.

 

 

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