Milagre da semana santa: Flu classificado na Libertadores

Antero Greco

21 de abril de 2011 | 00h56

O Fluminense é devoto de João Paulo II, que nos próximos dias será beatificado no Vaticano. Mas o grande milagre ocorreu nesta quarta-feira da semana santa, com a vitória por 4 a 2 sobre o Argentinos Juniors, em Buenos Aires. Um resultado adequado, dramático, suado, sofrido, festejado afinal e… brigado. A confusão provocada pelos anfitriões eliminados representa o que há de mais antigo e se supunha superado na América do Sul.

O Fluminense teve, na última cartada na fase de grupos, a eficiência, a coragem e a dedicação que lhe faltaram em rodadas anteriores, sobretudo nas primeiras, quando só empatou em casa. Desde o começo, foi atrevido e objetivo, criou oportunidades e ficou em vantagem com gol de Julio Cesar aos 17 minutos. Levou o primeiro empate aos 25, em pênalti tonto de Gum bem convertido pelo paraguaio Salcedo.

As emoções continuaram, na mesma proporção do domínio do Flu. O campeão brasileiro passou à frente de novo aos 40, em falta cobrada por Fred – um golaço, por aquilo que representava àquela altura, mas com ajuda do goleiro Navarro, que só foi metido na agressão covarde aos jogadores do Fluminense após o jogo.

O tricolor sofreu outro abalo aos 9 minutos da etapa final, com chute de Oberman que desviou em Valencia e morreu na rede. Os 2 a 2 abalaram o Flu, que passou alguns minutos grogue, um tanto desanimado, pois precisava de mais dois gols e ainda torcer para que o Nacional não batesse o América do México, em Montevidéu.

Pois o que parecia impossível aconteceu: o Flu marcou mais dois gols. Aos 23 minutos, depois de cobrança de escanteio, Rafael Moura pegou rebote e fez o terceiro. O auge da façanha estava reservado para os 43 minutos, num pênalti cometido por Navarro que Fred bateu com força, com raiva, com obstinação: 4 a 2 e a vaga para a fase seguinte na mão.

A alegria do Flu só foi atrapalhada pela reação descontroloda, cafajeste, indigente de jogadores e integrantes da comissão técnica do Argentinos Juniors, que partiram para a agressão gratuita. O pessoal do Flu foi valente, resistiu, voltou para os vestiários machucado, mas aliviado com a vaga que parecia tão distante, quase impossível.

Mais do que nunca a torcida do Flu pode encher o peito e cantar: a bênção, João de Deus!

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