Milan brilha em dia de bola murcha de Barça e Messi

Antero Greco

20 de fevereiro de 2013 | 19h33

Espera aí, vamos com calma! Já li e ouvi, aqui e ali, que o Milan nesta quarta-feira, se comportou como Chelsea e bateu o Barcelona por 2 a 0, no Giuseppe Meazza, pela Copa dos Campeões. Com isso, se faz referência à retranca escancarada e acintosa que os ingleses armaram, nas semifinais do ano passado, para superar os espanhóis e se garantirem na decisão que, em seguida, viriam a ganhar diante do Bayern, em Munique.

Os italianos foram eficientes na marcação. Isso é um fato. Mas se comportaram como Milan, como representantes de uma escola de futebol que sabe marcar, que tem essa vocação, e que também sabe atacar quando necessário. Não é por acaso que o próprio Milan tem sete réplicas da copa no currículo e não é do nada que a Azzurra é quatro vezes campeã mundial.

Não cabe essa conversa de que Massimiliano Allegri e sua turma copiaram o Chelsea do Roberto Di Matteo. Nas semifinais de 2012, os ingleses se plantaram na retaguarda e tomaram um sufoco tremendo do Barça. Você lembra? Foram bombardeios ensurdecedores nos dois confrontos, com direito a pênalti perdido por Messi. Uma superioridade constrangedora.

Desta vez, não. A esplêndida armada catalã teve a posse de bola de sempre. Porém, criou muito pouco, menos do que o próprio Milan, que segurou as estrelas Xavi, Iniesta, Messi e ainda foi à frente, incomodou Valdez e fez os dois gols na etapa final. E dois gols bonitos, com Boateng e Muntari. No primeiro, se pode alegar mão de Zapata. Mas também coube a interpretação de que ele não teve nenhuma intenção de ajeitar a bola, na bomba desferida por Montolivo.

O Milan mostrou que tem camisa. Ao mesmo tempo, se aplicou, foi impecável em todos os setores. E, mesmo sem ter a qualidade técnica do adversário, abriu uma vantagem razoável. Só não se pode dizer que é insuperável porque o Barcelona é grande, potente e pode dar o troco, com folga, no duelo de volta, na metade de março.

E, fato raro, mas que precisa ser ressaltado: Messi foi dos mais apagados em campo. Sumiu diante da vigilância italiana. Ora, ora, ora, futebol tem disso também. Às vezes, o melhor do mundo, o mais virtuoso, também tem seu dia de bola murcha. E ainda ouve a torcida rival gritar “olé!”. Acontece…

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