Minas tem clássico com torcida única. O futebol perde

Antero Greco

12 de fevereiro de 2011 | 01h32

Não é a primeira vez que isso acontece no futebol, mas sempre é triste. O maior clássico mineiro, na tarde deste sábado, na Arena do Jacaré, terá torcida única. Como o Cruzeiro é o mandante, só seus fãs terão direito de comprar ingressos para ver ao vivo o duelo com o Atlético, pela terceira rodada. São 18 mil lugares no estádio em Sete Lagoas, agora um dos palcos principais no estado, até que o Mineirão fique pronto para a Copa de 2014.

A Federação Mineira de Futebol e a Polícia Militar chegaram à conclusão, com o aval dos clubes, de que era a única opção, por questão de segurança, já que a Arena é pequena e deixa todo mundo muito perto. Claro que jamais eu iria apoiar algo que colocasse em risco a vida de uma pessoa que fosse. Mas fico triste, assim como qualquer um que ame o futebol. E, mais do que isso, para quem preze a convivência pacífica. De qualquer forma, na hora em que os responsáveis por uma competição esportiva admitem que não há alternativa conciliatória para abrigar torcidas rivais, estão entregando os pontos para os vândalos. A barbárie venceu.

Se a memória não me trair, isso começou na Argentina, anos atrás. Após muitas brigas que cercam as batalhas entre River x Boca Juniors, se decretou a torcida única. Daí pra frente, o recurso foi colocado em prática em muitos outros países. É uma pena. A graça dos grandes clássicos – na verdade de qualquer jogo – está justamente no colorido das torcidas, na divisão das arquibancadas, na diversidade. Nas provocações, nas brincadeiras.

As provocações, porém, há muito deram um bico na civilidade. As torcidas (e sabemos quais são elas) vão a campo para exterminar inimigos e não para curtir seu time e, na eventualidade de vitória, tirar onda com os adversários. Incentivar a equipe fica em segundo plano. O objetivo principal é agredir, destruir, dizimar. Autoridades há muito perderam o controle sobre os radicais das arquibancadas e tornam a tristeza oficial, ao estabelecerem torcida única.

Isso vai mudar no dia em que, de fato, forem tomadas medidas que inibam a ação dos violentos. O trabalho é longo, duro, desgastante. Mas dá resultado. Os ingleses são a maior prova. Há quanto tempo não se ouve falar de incidentes no país dos hooligans? Porque lá houve contra-ataque pesado contra os briguentos. Eles foram derrotados, a civilização venceu. O futebol agradece e lucra com isso. Por aqui, ainda falam mais alto a porrada e o porrete.

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