Maracutaias chegam também ao tênis…

Antero Greco

18 de janeiro de 2016 | 15h52

Não sobra mais nada no mundo do esporte. A tampa foi levantada e a panela da corrupção ferve. Chegou a vez do tênis. Do esporte da elite. Das roupas imaculadamente brancas até um período recente. Denúncia da BBC fala em jogos arranjados no circuito internacional.

Você duvida?

Eu não, porque onde há dinheiro de aposta, há a possibilidade de acerto.

E por que não o tênis? Um resultado surpreendente deve render muito a um apostador. E as apostas são feitas em games, sets, partidas. Muitas variantes.

O que diferenciava o tênis das outras modalidades eram os seus praticantes. Gente rica praticante não teria por que se vender. A reportagem da TV inglesa mostra que não é bem assim. E, para falar a verdade, acho que se engana e se compra resultado até em campeonato municipal de bolinha de gude.

Lembram do João Carlos de Oliveira na Olimpíada de Moscou? Ele deu um salto maravilhoso, quem estava lá garante que passou dos 18 metros. “Os juízes nem foram medir, disseram que o João tinha queimado o salto”, esbraveja até hoje, 36 anos depois, Pedro Henrique de Toledo, o técnico de João do Pulo. “Seria novo recorde mundial, com certeza”.

No atletismo é assim, no futebol se segura um time com impedimentos inexistentes, em algumas modalidades se esconde o doping e em outras o roubo é descarado e elegante: alguém se lembra da luta de Esquiva Falcão na final olímpica em Londres?

O esporte e a vida são assim.

Chegou a hora do tênis mostrar a cara.

(Com Roberto Salim.)

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