Medo

Antero Greco

27 Agosto 2016 | 22h57

Vira e mexe torcedores invadem centros de treinamentos para tirar satisfações ou para “incentivar” jogadores. Não há um grande clube que não tenha passado por situação semelhante. Que, nem por isso, deixa de ser grave, constrangedora, aviltante. Covarde.

Comum, nessas ocasiões, ocorreram depredações, ameaças e agressões. Depois, um grupo é recebido por comissão de atletas e dirigentes para uma conversa apaziguadora. Os valentões passam o recado, quando não dão palestras para elencos, e vão embora tranquilamente, sem serem incomodados. Alguns dão declarações para meios de comunicação.

Na sequência, ao serem questionados a respeito de desdobramentos, cartolas e jogadores desconversam. Mostram indignação para inglês ver, prometem romper com as torcidas, avisam que o caso será entregue à polícia e… não se fala mais nisso. Até o próximo episódio semelhante, com as mesmas cenas e os mesmos personagens de sempre.

Por que o esquecimento? Por medo e, em alguns casos, por conivência. O pessoal do mundo do futebol sabe com quem lida nesses momentos de tensão. Sabe que não é o fanático que perde a cabeça e vai xingar; esse “zé mané” é fácil de driblar, na boa vontade ou até no mano a mano. Nas invasões está gente da pesada, com a qual é melhor não bulir. E sabe-se lá a mando de quem foram badernar…

Dá para entender – e lamentar -, quando uma multidão invade um local privado de trabalho, coloca em risco segurança de funcionários e tudo acaba se resumindo num comentário ameno, algo como: “Foram só uns tapinhas e uns chutinhos.”

A violência no futebol brasileiro está longe de virar fumaça. Ao contrário…

 

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