Mourinho com tempo livre para ser papai Noel

Antero Greco

17 de dezembro de 2015 | 21h29

Quando se manda técnico embora, aqui no Brasil, logo vem a comparação com a Europa. Porque na Europa não é assim, porque na Europa treinador tem estabilidade, porque na Europa conta o projeto e não só os resultados. Porque na Europa isso, na Europa aquilo.

Pois bem, o Chelsea anunciou nesta quinta-feira que José Mourinho está livre para buscar novos desafios no mercado, ou seja, levou um chega pra lá, foi demitido. E por quê? Porque o time não engrena na atual temporada e, em 16 rodadas, ganhou 4 jogos, empatou três e perdeu nove. Está no fundo da tabela da Premier League.

Quer dizer, tanto lá como cá, o “professor” é gênio enquanto a equipe vai bem. Se vacilar, fica prestigiado; se continuar a frustrar, é dispensado e dá lugar a outro. Sem choro nem vela. E, no caso do Mourinho, tem uma agravante: ele conquistou o último título inglês. Em sete meses, passou de bestial para besta, para usar um trocadilho antigo.

Mourinho sai cheio da grana – a rescisão pode lhe render até R$ 58 milhões. Graninha suficiente para uma boa ceia de Natal, por uns 200 anos… Mas resta a mancha no currículo de um personagem controvertido, posudo, metido, autossuficiente… Enjoado que só.

Ele gosta de referir-se a si próprio como o “Special One” – em tradução livre, O Único – e costuma ser irônico, sarcástico no contato com a imprensa. Dá entrevistas com um pouco caso também único. No entanto, é igual aos outros: tem qualidades e defeitos como todo ser humano. É de fato bom no que faz. Mas, por presunção, também demora a enxergar erros.

Foi isso que o empurrou para a porta de saída do Chelsea. Por considerar-se infalível, acima do bem e do mal, não notou que o trabalho emperrou, que houve cisão no grupo, que as instruções dele não eram recebidas mais como orientações divinas.

Consequência disso? As derrapadas se acumularam, a torcida pegou no pé e os dirigentes se encheram. E cartola, amigo querido, é igual no mundo todo. Dão tapinhas nas costas na boa fase e um pé no traseiro quando a maré vira.

O Special One pode fazer um bico de Papai Noel no Natal.

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