Momentos de apreensão para o São Paulo e Ney Franco

Antero Greco

15 de março de 2013 | 01h31

A diretoria desmente, mas algo não vai bem no São Paulo. Isso é evidente, não só pela constante oscilação da equipe, que salta de exibições muito boas para momentos confusos. Mas pela reação de alguns jogadores. No clássico com o Palmeiras, Ganso saiu de campo claramente aborrecido com a substituição. Nesta quinta-feira, foi a vez de Lúcio demonstrar-se chateado, ao sair com menos de dez minutos no segundo tempo do jogo com o Arsenal.

A atitude de dois nomes de peso do elenco é importante. Na linguagem do futebol, significa que o elenco começa a enfastiar-se com o treinador. No caso, Ney Franco deverá ter pulso forte, e sobretudo precisa contar com respaldo de cima, para conter rebeldia. Além disso, tem de convencer seus atletas de que há um plano de trabalho, com objetivos bem definidos.

Não será tarefa fácil, ainda mais que os resultados não aparecem na Taça Libertadores. Se no Campeonato Paulista, a situação é tranquila e a classificação para a etapa seguinte é questão de mais algumas rodadas, no torneio continental há dúvidas até mesmo quanto à possibilidade de superar o turno. Principalmente depois da derrota por 2 a 1 na Argentina.

O São Paulo deixou escapar cinco pontos para um adversário sem lastro, sem tradição. Porém, que veio ao Pacaembu e arrancou empate, jogou com anfitrião e venceu. Agora, com 4 pontos, o tricolor se vê obrigado a ganhar os jogos que restam (The Strongest fora e Atlético em casa) e torcer por tropeço do Arsenal. Uma chave aparentemente sob controle ficou complicada.

Complicou porque o esquema não funcionou nesta quinta-feira. Ney começou com 3-5-2 (com Edson Silva, Lúcio e Tolói na zaga), a equipe criou algumas situações, ao mesmo tempo em que ficou exposta aos contragolpes argentinos. No segundo tempo, o técnico mexeu, voltou ao 4-4-2 (a defesa com Rodrigo Caio, Edson Silva, Tolói e Cortez), tornou a equipe mais rápida. A gangorra, no entanto, não levou a um resultado melhor. O São Paulo esbarrou em boas defesas do goleiro Campestrini, e acima de tudo em seus próprios erros.

O Morumbi viverá dias movimentados.

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