Mourinho e a dor de cotovelo incurável

Antero Greco

20 de dezembro de 2011 | 16h32

José Mourinho é dos técnicos mais competentes que há. Mostrou isso no Porto, no Chelsea, na Inter e agora no Real Madrid. É também polêmico, autossuficiente, arrogante. Não perde ocasião para cutucar rivais diretos. Foi assim em todo lugar por onde passou. É sobretudo na Espanha, por ter virado freguês de carteirinha do Barcelona. Sempre que possível, lança alguma dúvida em torno de vitórias e conquistas dos catalães.

A mais recente do Mourinho, distribuída por agências de notícias, é o comentário a respeito de mais um título mundial do Barça. O português cumprimentou os adversários, com as palavras de praxe, mas ressaltou que importa mais ganhar A Copa dos Campeoes do que um torneio com duas “partidinhas”. Referia-se, claro, aos jogos com Al Saad e Santos.

Vá lá que o Barcelona passeou contra esses concorrentes. Talvez tenha suado a camisa um pouco mais contra o Al Saad do que contra os brasileiros. Daí a Mourinho dizer que se trata de joguinhos sem importância vai a distância da inveja, da dor de cotovelo.

Há quem não suporte ver o sucesso alheio, por causa da prepotência. Mourinho é brilhante, mas se diminui com esse tipo de comportamento. Não me agrada quem queira ressaltar suas qualidades por meio de diminuição do trabalho dos outros. O Barcelona ganhou uma Uefa Champions League para ter o direito de ir ao Japão. Não foi como convidado ou intruso.

É bom lembrar, também, que na véspera do embarque para o Oriente, o Barcelona fez uma visitinha a Madri e, no campo ‘inimigo’, fez 3 a 1. Num Real Madrid que, nos últimos tempos, com exceção da Copa do Rei, virou presa fácil para os catalães. Que transformaram vários desses clássicos espanhóis em “partidinhas”, tão a fragilidade do outro lado.

E agora, Mourinho? Dessa forma, um treinador estupendo vira caricatura de si mesmo.

 

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