Muricy sente estragos do clássico de quarta

Antero Greco

20 de fevereiro de 2015 | 18h26

O futebol apático do São Paulo na derrota para o Corinthians, pela Libertadores, ainda não foi digerido. Tem gente no Morumbi agastada com Muricy Ramalho e jogadores. Além disso, a turma organizada, aquela que costuma fazer pressão, publicamente pede a cabeça do treinador. O ambiente tende a esquentar nas próximas apresentações – e não há dúvida de que o time entrará pressionado nos demais jogos da competição sul-americana.

Derrotas ocorrem a todo momento, assim como erros de estratégia. Algumas, porém, são difíceis de engolir. É o caso dos 2 a 0 de quarta-feira. Além da escorregada em si, o que tirou tricolor do sério foi o comportamento sonso da equipe. O São Paulo pareci sem energia para sair da marcação corintiana ou para tomar a mais simples iniciativa. Aceitou tudo passivamente.

O mea culpa foi feito pelo próprio técnico, assim que terminou o jogo, e já houve conversas com a tropa. Muricy errou nas opções, sobretudo ao deixar Michel Bastos na lateral quando vinha muito bem no meio. Isso ajudou a levar o baile. O torcedor tem direito de queixar-se e quem está num cargo como o do Muricy sabe dos riscos implícitos na exposição.

O fato é que não está liquidada a sorte do São Paulo na Libertadores. Há cinco rodadas pela frente, cinco chances de o time se recuperar, firmar-se e seguir adiante. Além disso, tem o Paulista como forma de acelerar entrosamento, táticas e dar confiança ao grupo.

Não sou de endeusar treinador, longe disso. Ele tem participação em êxitos e fracassos. Falha à parte, os jogadores também não mostraram iniciativa para inverter o quadro grotesco. E não se trata de um bando de garotos sem experiência e à espera do que seu mestremandar.

Exagero pedir cabeça neste momento. O problema é que os métodos de convencimento de organizadas passam longe de ponderação democrática. Tem cheiro de fritura no ar.