Nesta quarta-feira, sou Santos desde criancinha

Antero Greco

13 de dezembro de 2011 | 19h46

Dentro de algumas horas, o Santos inicia a aventura que pode levá-lo ao terceiro título mundial. Terceiro, sim. Antes que algum espírito de porco diga que os dois primeiros eram apenas a Taça Intercontinental, lembro que aquelas conquistas, em 1962 e 63, foram talvez mais difíceis do que eventualmente esta, se vier a ganhá-la. Os duelos de então eram na Europa e na América do Sul, havia pressão de torcida, o pau quebrava. Agora, o palco é o Japão, onde o público ganha sempre nota 10 de comportamento e boa acolhida.

Não tem como negar que Neymar e sua turma são favoritos contra o Kashiwa Reysol. O time japonês é ruim, com todo respeito que merecem seus profissionais. Vi os jogos contra Auckland e Monterrey e não deu pra ficar nem entusiasmado nem assustado. Em condições normais, sem nenhuma pegadinha do destino, nem erros absurdos, o Santos passa essa etapa preliminar e engata uma quinta para a final de domingo, muito provavelmente contra o Barça.

O perigo está na presunção. Ou o salto alto, pra ficar em linguagem popular e mais fácil. Esse é o pecado mortal que já derrubou muita gente. Não é demais lembrar a tropicada e tanto do Internacional diante do Mazembe. Não se trata de espezinhar o time gaúcho; a recordação serve apenas como advertência para o Santos. E até para o super-Barça, que amanhã também tem uma galinha morta (para seus padrões) pela frente.

O Santos tem força total – e isso significa Neymar, Ganso, Elano, Borges, Arouca em campo. Uma formação que não se viu com frequência no Brasileiro de 2011. Tivesse sido mais constante, talvez a história da competição fosse diferente. Mas esse terreno, o das hipóteses, é escorregadio e página virada. Com o que tem de melhor em ação, o alvinegro leva sem suar.

Para o bem do futebol, e digo isso sem patriotada, é fundamental que se enfrentem Santos e Barcelona. Uma forma de resgatar grandes duelos, ainda mais que há Neymar e Messi frente a frente. Fora todos os outros coadjuvantes – e cada coadjuvante de categoria! Garantia de jogo bonito, de espetáculo, de certeza de que a bola será bem tratada.

Sei que pode parecer lugar-comum, mas nesta quarta-feira o Santos é Brasil. Sou do tempo em que Pelé e seus súditos jogavam no Maracanã para decidir títulos – e não havia antipatia. Ao contrário, era uma honra receber aquela trupe. Pois então, em nome da cordialidade e do reconhecimento do futebol bem jogado, sou Santos desde criancinha. Daí domingo veremos que bicho vai dar…

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