Ney Franco fala grosso, mas tem de ficar esperto

Antero Greco

17 de março de 2013 | 22h15

Taí, interessante essa história de Ney Franco falar grosso. O treinador do São Paulo sentiu que o clima não é dos mais relaxados e já mandou recado. Após a vitória sobre o Oeste, na tarde deste domingo, avisou que não vai tolerar mais reclamações públicas de jogadores. Quem sair da linha, advertiu, será colocado pra escanteio.

Trata-se de tomada de posição. Não entro no mérito da decisão dele. Sabe onde aperta o calo e está agindo de acordo com suas convicções. Imagino que tenha medido eventuais desdobramentos, com o elenco e com os dirigentes, desse endurecimento. E suponho, também, que tenha maturidade para segurar o rojão.

A verdade é que Ney percebeu que, se baixar a guarda, será engolido. Reações de recentes de alguns atletas, embora não espalhafatosas, demonstraram que há insatisfação. E, quando um começa a bufar daqui, outro a chiar de lá e mais outro a fazer críticas acolá, a situação de qualquer treinador degringola rapidinho.

Ney agora vai de postura mais incisiva nos bastidores. É preciso ver como conseguirá que a equipe tenha desempenho igualmente mais contundente. Os números não são ruins – longe disso. Na temporada, até agora foram 17 jogos oficiais, com 10 vitórias, 3 empates e quatro derrotas. A situação no Paulista é confortável e há risco na Libertadores.

O que pega é a instabilidade do time, como seu viu nos 3 a 2 sobre o Oeste, no Morumbi quase vazio e com chuva. O São Paulo abriu 2 a 0 com relativa facilidade, mas deu uma esfriada ao tomar o gol antes do intervalo. Depois, fez 3 a 1 (com Luis Fabiano) e novamente levou o gol. Caiu de produção e correu risco de empate.

Essa inconstância é que tem causado calafrios nos torcedores – daí, as vaias após a partida. Ney Franco reconhece que falta regularidade ao tricolor. Ok, boa autocrítica. Falta, agora, ajustar o caminho. Antes que a cornetagem vença. Elas já vem de parte do público, que o chamou de burro por não colocar Ganso em campo.

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