Neymar joga mal, e o Brasil desaparece

Antero Greco

17 de junho de 2015 | 23h23

Perder para a Colômbia hoje em dia nem é tão fora de propósito. Foi-se o tempo em que o Brasil surrava qualquer adversário. Portanto, não seria motivo para muita frustração o 1 a 0 da noite desta quarta-feira, em Santiago, pela segunda rodada da Copa América. Os colombianos, não custa lembrar, deram canseira na seleção da CBF durante o Mundial do ano passado.

Chato pra caramba foi ver, outra vez, um punhado de jogadores razoáveis vestindo a amarelinha (opa, entraram com a azul) a comportar-se como uma turma de amigos em pelada de churrasco de fim de semana. E todos a apostar no “fera” do time para ganhar o rachão com os vizinhos do outro sítio.

Só que o cara, que atende pelo nome de Neymar, não esteve bem. Até insistiu no repertório que se tornou habitual na seleção: correu, driblou, caiu, cobrou falta, fez falta, tomou falta, levou amarelo, bateu boca com adversários. Arrumou encrenca até depois do apito final, viu o vermelho, e pode voltar só na semifinal, se o Brasil chegar lá, claro.

Bem, fez tudo isso só que não adiantou nada. Os dribles não saíram como queriam, os chutes não tiveram direção, as faltas não atingiram o alvo, os lançamentos se mostraram inúteis. Ou seja, não foi uma noite legal pro Neymar. E, como a seleção joga em função dele e fica à espera de uma proeza que saia dos seus pés, a consequência foi a derrota e a quebra da invencibilidade de Dunga. O “professor” acumulava 11 vitórias seguidas.

Foi uma tristeza, para não escrever que deu raiva, ver a atuação da seleção. Na defesa até que não se complicou, pois os colombianos a rigor criaram a chance do gol (Murillo, aos 36 minutos do primeiro tempo) e um chute perigoso de James Rodriguez no segundo tempo.  Daniel Alves ainda ensaiou algumas arrancadas no estilo que tem no Barcelona, enquanto Filipe Luis correu pra lá e pra cá sem resultado prático.

Meio-campo e ataque concentraram o desastre. Fernandinho ficou esbaforido a marcar como doido (e a descer a ripa várias vezes), Elias esteve contido, Fred e William não criaram, Firmino se destacou por uma chance incrível que perdeu e Neymar… bom o salvador falhou. Dunga ainda arriscou com Tardelli, Douglas Costas e Philippe Coutinho. Não mudou nada.

Em diversas oportunidades, escrevi que o Brasil é um time comum que tem Neymar. Hoje ficou provado que, se ele negar fogo, o resto afunda junto. Pena e preocupante.