Não tem mais bobo no futebol? Tem. Somos nós

Antero Greco

08 de agosto de 2016 | 00h42

Impressionante como o Brasil perdeu a capacidade de impor-se no futebol, independentemente do adversário e da competição. Tanto fez se seleção principal, juvenil ou olímpica. Os vexames se sucedem.

Também pouco importa se o rival é a Alemanha, ou a Holanda ou o Peru, ou a África do Sul ou o Iraque. E daí que o torneio seja no Chile, nos Estados Unidos ou aqui mesmo? O fracasso é idêntico. A “amarelinha” está anêmica e não assusta mais ninguém.

Claro que há evolução mundo afora. Muito bem, todos têm direito de crescer, aprimorar-se, obter feitos inéditos. Nada contra sul-africanos ou iraquianos. Ao contrário, trata-se de povos sofridos, com história recente de mudanças, de guerras, perseguições. Que tenham alegrias no esporte e em qualquer atividade da vida.

Mas, pelo amor de Deus, é obrigação do Brasil ganhar deles. Não por presunção, por soberba – por camisa, história e tradição. E pelos jogadores de cada um. Os sul-africanos jogam todos em casa, com uma exceção. Os iraquianos vão pelo mesmo caminho. E só domésticos porque não atraem olhares nem dos centros periféricos do mundo da bola.

Os brasileiros ou atuam na Série A daqui ou, em muitos casos, são astros internacionais ou na mira dos gigantes europeus. Caramba, não pode um time que tem Neymar, integrante do trupe milionária e badalada do Barcelona, jogar bola murcha como essa que mostrou nas duas primeiras rodadas da Olimpíada.

Não é admissível uma equipe passar 180 minutos sem um golzinho, sem a bendita de uma bola na rede! Contra África do Sul e Iraque. Gente, não se fala aqui de alemães, espanhóis, italianos, franceses, ingleses. Mas de duas seleções sem história. Mesmo que tenham obtido progressos – e, de novo, parabéns para eles -, não poderiam ser páreo para a turma da casa.

Só que foram, e por demérito nosso. O Brasil comportou-se como um bando, um catadão, no segundo desafio seguido no Mané Garrincha. No primeiro tempo contra os iraquianos, até houve esboço de organização. A partir do intervalo, tudo foi pro espaço.

O técnico Rogério Micale sentiu a pressão da falta de gol e de novo colocou Luan, na ilusão de que um quarto atacante transformaria a equipe numa artilharia pesada. Desajustou o meio e não arrumou na frente. Virou um bumba meu boi ou um festival de tentativas individuais de resolver sozinho.

Ah, teve bombardeio contra o gol do Iraque. Grande coisa. Se pressiona direto, claro que algum perigo surge. Mas sem coordenação, sem brilho – e sobretudo sem calma. Na Copa, a seleção teve em Thiago Silva um capitão que chorava fora de hora.

Agora, com Neymar, tem um capitão com chiliques frequentes.  Em vez de ser a luz e a referência, foi outro ponto de tensão. E saiu mudo, do campo e do estádio. O capitão acha que não tinha o que falar para o torcedor? Então, preferiu o refúgio dos fones de ouvido.

Seria essa a resposta para as vaias? Vaias duras, mas merecidas? Se sim, que pena.

Sabe o papo de que não tem mais bobo no futebol? Tem sim, e pelo visto somos nós.

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