Neymar entre os melhores. E daí?

Antero Greco

30 Novembro 2015 | 14h24

O orgulho nacional recebeu um carinho nesta segunda-feira, quando se divulgou que Neymar está no trio de finalistas ao prêmio de melhor jogador do mundo, oferecido pela Fifa em parceria com a revista francesa France Football. Vai concorrer com Lionel Messi e Cristiano Ronaldo, duas figurinhas carimbadas e que já faturaram o troféu algumas vezes.

Muito bem, devem estar aqueles que, tempos atrás, diziam que Neymar aparecia no panteão dos maiores, desde que fosse para a Europa. Porque lá encontraria ambiente para desenvolver o futebol deles, cresceria, apareceria, arrebentaria etc e tal. Se ficasse no Brasil, não passaria de mais um dentre tantos bons ou ótimos profissionais desperdiçados. Puxa, visionários…

Bacana, o moço é bom de bola mesmo, e faz tempo que se sabe disso. Nem precisava ir para a Europa para a constatação. Quem gosta de futebol, quem segue futebol, já falava disso havia bastante tempo.

Mas há perguntas a fazer. A quem interessa, de fato, essa premiação? Em primeiro lugar, digamos, aos próprios indicados. Por vaidade, reconhecimento e pelos desdobramentos positivos que traz. De que forma? Em contratos, valorização, publicidade. Grana.

A indicação ajuda também a turma do estafe. Se o jogador passa a ganhar mais, os que gravitam em torno dele também se beneficiam. Se trabalham com comissões, vai pingar algum a mais no bolso. Se são funcionários, espera-se aumentinho de salário. Se for uma agência, terá chance de atrair mais contratados sob seu guarda-chuva.

É bom também para os patrocinadores dos atletas. E como! Imaginem todas as empresas que têm Neymar como garoto-propaganda. Estão a esfregar as mãos e a bendizer cada euro, dólar ou sei lá que moeda investiu nele. Estarão associadas a sucesso, vitórias, etc etc.

Os clubes também podem vender-se como excelentes empreendedores, porque apostam em boleiros de alta classe. No caso do Barcelona, tem Neymar e Messi. Isso atrai publicidade e, por tabela, ajuda na imagem, mesmo que se enfrentem até problemas com a justiça por causa de impostos sonegados e transações mal explicadas.

Em resumo, isso serve para movimentar o dinheiro e, para variar, mostra que o mundo do futebol tem como centro a Europa, e apenas ela. E o resto aplaude, humilde e colonizado.

E acima de tudo paira o money, carvão, bufunfa.

Na prática, tanto faz se Neymar, Messi ou Ronaldo vai levar a bola de ouro.

A rotina do torcedor não muda por causa disso.