Nobre garante Kleina. Amadurecimento ou despiste?

Antero Greco

29 de março de 2013 | 15h35

Os jornais desta sexta-feira da Paixão dão destaque para declarações de Paulo Nobre, de que vai manter Gilson Kleina no cargo de técnico do Palmeiras. Como qualquer torcedor, o presidente se mostrou aborrecido com a surra de marmelo que o time levou do Mirassol, no meio da semana, mas garantiu que o momento não é para troca de comando. Disse que vai aguardar o desenvolvimento do trabalho, com a ressalva de que o treinador passa por “avaliação interna” e que ele não decide sob pressão.

Palavras tranquilizadoras? Mais ou menos. Podem ser interpretadas de duas maneiras. A primeira, literal, é a de que a crise no momento está abafada. Sinal, também, de amadurecimento dos dirigentes, que não pretendem tomar medidas drásticas no calor da hora. Seria, portanto, uma evolução na relação dos clubes com os treinadores.

Outra leitura indica mensagem subreptícia de que nem tudo vai bem. Quando um técnico está totalmente respaldado, o cartola é taxativo nas respostas e diz algo assim. “Fulano tem um projeto a desenvolver. Não há motivo para trocas.”

Não foi isso que Paulo Nobre afirmou. Ao contrário, falou em não agir para responder a cobranças e, mais importante, acenou com a “avaliação interna”. Como é feita essa análise? Por quem? Que parâmetros são levados em consideração para saber se o técnico cumpre ou não com o que se espera dele? Apenas resultados? O jeito como atua no dia a dia? A maneira com que lida com o elenco?

Parece-me um discurso um tanto vago. Continuo com a impressão de que o Palmeiras mantém Gilson Kleina por aquilo que recebe e, talvez, por falta de alternativas no mercado. Já escrevi e disse em outras ocasiões: se fosse ele, eu estaria bem alerta. Ainda mais com o time frágil que tem em mãos.  Só falta roer o osso e deixar o filé para o sucessor. Não me surpreenderá.

 

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