O achador de espaço

Antero Greco

17 de janeiro de 2016 | 20h36

Gostar de futebol, todo brasileiro gosta.

Jornalista então, nem se fale.

Quando cobria a Portuguesa era gostoso ouvir as histórias de Oto Glória, que tinha no meio de campo o grande Dicá, mestre em achar companheiros desmarcados.

No Palmeiras, as conversas eram com Jorge Vieira, um buscador incansável de espaços na defesa adversária, com jogadas ensaiadas.

Tinha Oswaldo Brandão no Corinthians… O piadista João Avelino… O “seu” Rubens Minelli.

Todos tinham um 10 especialista em criar jogadas.

Uma vez falei para o Telê Santana, assim que assumiu o Palmeiras, que no clube tinha um meia canhoto bom de bola. Tinha vindo do Sul. Anos depois, quando era comentarista do SBT na Copa de 1994, seu Telê me chamou de lado e falou: “Lembra daquele meia? Não jogava nada…”

E completou sorrindo: “E você… não entende nada de bola…”

Dito isto vou falar de América Mineiro e Palmeiras, jogo de domingo cedo, pela Copa São Paulo.

Foi um jogo gostoso de ver.

No América, destaque para Matheuzinho, meia inteligente, rápido. Arrisco dizer: um futuro craque.

No Palmeiras, o meia Lipe entrou no segundo tempo e jogou muito. Ele acha espaços onde não existe. Jogador inteligente, criativo, como o time profissional não tem.

Um maestro: deu passes inacreditáveis para os companheiros, mas o jogo terminou 1 a 1.

Nos pênaltis, o time mineiro venceu por 5 a 4.

Não sei se verei de novo o Lipe jogando pelo Palmeiras ou por outro time. Uns cinco atrás também vi um meia chamado Ramos comendo a bola na Copa São Paulo e o Felipão disse que ele não servia para o Palmeiras.

Alguém sabe onde anda o Ramos?

(Com Roberto Salim.)

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