O apito e o mico da FPF

Antero Greco

13 de abril de 2015 | 15h24

A Federação Paulista de Futebol pagou o maior mico até agora em 2015. E foi com a história do malfadado patrocínio para a arbitragem na reta final do Estadual. A parceria com a Crefisa deu o que falar, desde a semana passada, e desembocou em polêmicas após erros no apito, sobretudo nos jogos de Corinthians e Palmeiras, adversários do próximo domingo. Agora,  volta atrás e vai bancar as despesas dos apitadores, como é habitual.

O recuo foi a saída para evitar novos vexames – e também uma forma de não bater de frente com a Fifa. Por mais que a FPF tenha desdenhado da possibilidade de interferência no acerto, teve de curvar-se à recomendação da entidade que manda na bola mundial. A Fifa não aceita conflito de interesses em acordos de publicidade – e era o caso de agora. A Crefisa anuncia no uniforme do Palmeiras, um dos participantes do campeonato e concorrente ao título.

Por ironia, e para aumentar o desgaste, o Palmeiras foi o único dos quatro semifinalistas a ser prejudicado pela arbitragem. No jogo em que bateu o Botafogo por 1 a 0, no domingo pela manhã, no Parque, viu ser ignorado pênalti em seu favor e reclamou de impedimento em jogada do Botafogo que por pouco não resulta em gol. (O bandeirinha viu lance normal.)

Publicidade na camisa dos juízes de futebol não é novidade; há algum tempo se trata de tabu que já caiu. Normal ver em competições internacionais, e eventualmente por aqui. O detalhe, na iniciativa da FPF, foi a coincidência de patrocinadores. Aqui mesmo alertei para a possibilidade de que o Palmeiras sentisse as consequências, negativas, e não benefício.

Tudo bem: uma hora o pessoal aprende que, como a mulher de César, não basta apenas ser honesta, tem também de parecer honesta. E que o apito não interfira nas semifinas e finais.