O argentino bravo

Antero Greco

06 de dezembro de 2015 | 12h39

Crônica do jornalista Roberto Salim.

Quando eu era pequeno, o velho Jamil almoçava correndo aos domingos.

O Morumbi era longe, quase uma viagem.

Ônibus até o Vale do Anhangabaú e depois o especial até o estádio do São Paulo.

E quando a escalação era anunciada pelo alto-falante, seu nome é o que vinha primeiro.

O goleiro tricolor sempre foi atração.

Forte, alto, bravo não batia faltas, nem fazia gols. Mas como defendia, como comandava a defesa.

Foi assim durante 565 jogos.

Nunca mais haveria um goleiro como ele…

De 1957 em diante, o time passou um bom tempo sem conquistar título.

Mas ele era um símbolo do clube da fé.

A torcida o adorava, tanto que diz a lenda que ele ajudou a vender milhares de cadeiras cativas na época da construção do Morumbi.

E quando ele parou de jogar, tornou-se um respeitado administrador do clube, um técnico cheio de manias, princípios e vitórias. Queria, porque queria, por exemplo, que o jovem Muricy aparasse o cabelo comprido.

”Ele foi um pai para mim”

Ganhou quatro títulos paulistas desde que chegou ao clube em 1948. Antes da Copa da Suíça houve um movimento para que o argentino de Rosário se naturalizasse. Mas não deu certo.

Neste dia em que todos falam de Rogério Ceni, eu senti saudades do meu velho pai e do goleiro argentino José Poy.

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