O boxe não se emenda

Antero Greco

05 de março de 2016 | 01h03

O boxe profissional brasileiro tem apanhado nos últimos tempos porque não é levado a sério pelos organizadores dos eventos em ringues nacionais. Existem bons lutadores e alguns são fora de série. Caso de Patrick Teixeira, que faz carreira nos Estados Unidos e brevemente se apresenta em Las Vegas.

Mas a maioria que tem de começar a carreira no Brasil vê o caminho construído em cima de resultados enganadores.

Normalmente se confunde vitória com resultado a qualquer custo. Para isso, basta que o adversário seja um ilustre desconhecido ou um “perigoso” argentino.

Nesta sexta-feira, no Mendes Convention Center, em Santos, houve uma das tradicionais noitadas pugilísticas e a grande atração seria a disputa do título latino dos médios, versão Conselho Mundial de Boxe.

A avenida Ana Costa amanheceu com vários cartazes anunciando o combate. Vendia-se ingresso em shoppings e haveria a transmissão pela Sportv.

O brasileiro Yamaguchi Falcão estava animado, pela manhã, ao lado de sua turma – o irmão e o pai, o velho lutador Touro Moreno. Chegaram quarta-feira do Espírito Santo, onde moram e treinam.

Yamaguchi é lutador de 28 anos, que teve carreira muito boa no amadorismo. Chegou a ganhar a medalha de bronze, nos Jogos de Londres – mesma Olimpíada em que seu irmão, Esquiva Falcão, ficou com a prata, em uma derrota discutível para o lutador do Japão.

Esquiva também constrói dentro do boxe profissional uma sólida reputação nos Estados Unidos.

Yamaguchi tem recursos técnicos incríveis: luta como destro e canhoto com a mesma facilidade. Inverte a guarda, soca com a mesma potência com os dois punhos.

Esperava-se uma boa luta contra Jorge Caraballo, mesmo sabendo-se que o argentino tinha cartel sofrível: 5 derrotas e 2 empates em 20 lutas. Em 13 vitórias, só venceu duas vezes por nocaute.

Não foi a sua insossa lista de lutas que decepcionou quem esteve no ginásio.

Triste foi ver que o argentino não era tão perigoso como anunciaram e não era páreo para Yamaguchi, que venceu por nocaute técnico com pouco mais de 40 segundos do segundo assalto. Agora ele soma dez vitórias e continua invicto.

A família Falcão comemorou em cima do ringue, mas ele e o pai sabem que não se forma um campeão lutando contra adversários de mentira.

(Reportagem de Roberto Salim.)

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