O Brasil fará amistoso com o Iraque. Pra quê?

Antero Greco

17 de setembro de 2012 | 19h38

Dias atrás, li que o Brasil poderia fazer amistoso com o Iraque, pois esse era desejo do grupo árabe que tem o direito de explorar a marca da seleção até 2022. Pensei que fosse brincadeira, após a fanfarrice dos 8 a 0 sobre a China, disputada no Recife, há uma semana. Pois não era gozação, não, e nesta segunda-feira a CBF confirmou o confronto contra o time atualmente dirigido por Zico: será em 11 de outubro, em Malmoe, na Suécia. Que lindo!

É possível alegar que a diretoria atual da CBF está de mãos atadas, pois o acordo foi assinado pelo ex-dono do poder, aquele que pouco se lixava para críticas e que hoje cura seus males em algum lugar na Flórida. O próprio José Maria Marin disse, numa cerimônia em Fortaleza, que não tem controle sobre todos os jogos da seleção cinco vezes campeã do mundo e que será anfitriã da Copa, dentro de menos de dois anos. Triste constatação.

Mais triste, porém, é ver que transformaram um ícone do futebol – a seleção amarelinha – num grupo mambembe, que joga aqui e ali, contra adversários de péssimo nível, porque assim reza um contrato. Não é novidade enfrentar times medíocres, pois isso  já aconteceu diversas vezes. Há momentos em que até é bom pegar moleza, pra dar ritmo.

Não é caso de agora. O Brasil prepara-se para jogar um Mundial em casa, não pode correr risco de dar vexame, não pode repetir o desastre de 1950. Tem de entrar na ponta dos cascos, jogar como gigante e não como emergente. E o melhor a fazer é enfrentar o maior número possível de potências. Mesmo se quebrar a cara agora, pode aprender e lucrar mais adiante.

Alguém pode alegar que esses joguinhos merrecas (o Iraque é 78.º colocado no ranking da Fifa) ajudam a acalmar o ambiente, sobretudo para os lados de Mano Menezes. Importa menos, agora, a tranquilidade do treinador (seja ele quem for) e mais a consolidação da equipe. E o Brasil, salvo engano, não vai amalgamar-se diante de seleções limitadas.

Pior, ainda corre risco de quebrar a cara num jogo que vai ser disputado enquanto aí se jogará mais uma rodada importante do Brasileiro. Daí, se ganha, não fez mais do que obrigação. É o famoso bater em bêbado. Se perde, fica mal, justamente porque tropicou diante de rival sem expressão. Risco por risco, então, o melhor seria topar com Espanha, Alemanha, França, Inglaterra e outras do gênero. Isso seria o melhor para nossa seleção. Epa, se a seleção fosse nossa.

 

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