O caldeirão corintiano continua em ebulição total

Antero Greco

16 de outubro de 2010 | 18h10

As manifestações deste sábado de parte da torcida mostram com que astral os jogadores do Corinthians vão jogar amanhã contra o Guarani, em Campinas. Antes festejados, agora muitos são cobrados ou rejeitados, por causa da perspectiva de fiasco no ano do centenário. Até Ronaldo, até outro dia intocável, entrou na dança e ouviu reclamações por causa dos longos períodos em que fica fora por acúmulo de contusões. Bronca que vem na véspera de outro retorno do Fenômeno, que decidiu assumir a missão de reerguer o time. Já não era sem tempo.

As palavras de ordem, as frases agressivas que se ouviram no treino da manhã, não pouparam nem Andrés Sanchez. O presidente “com cara de povo”, adulado por ter trazido Ronaldo e porque promete tornar realidade o sonho do estádio próprio, é alvo de ressentimento de facções, justamente por sua ligação com a principal organizada do clube. O movimento de protesto revela assim a divisão que há nos bastidores das torcidas e a importância dos cartolas na rotina e na existência delas.

A presença de 300 pessoas irritadas no Parque São Jorge expõe também a peculiar psicologia dos dirigentes. Em um momento delicado, em que o time vê o título escorrer-lhe pelas mãos, os portões são abertos para quem vai pressionar, em vez de apoiar. O medo da massa faz com que o cartola tire o corpo fora, lave as mãos e transfira o sensação de insegurança para o elenco. Bravos administradores, perspicazes chefes, patrões compreensivos…

Cobranças de torcedores sempre existiram e não se pode negar-lhes esse direito. A maneira como são feitas leva a efeitos em geral devastadores. Na maioria das vezes em que houve caça às bruxas, pressões, bate-bocas, reuniões em vestiários – ou até o extremo de emboscadas –, as consequências no Corinthinans foram ruinosas. O filme vai repetir-se agora? Ou, ao agir assim, se acredita que os atletas terão seus brios cutucados e darão resposta positiva em campo?

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