O Cruzeiro pode encomendar a festa…

Antero Greco

30 de setembro de 2013 | 00h57

Provável que você tenha torcido o nariz ao ler o título deste comentário. Desde que não seja torcedor do Cruzeiro, evidentemente. Afinal, a manchetinha pode parecer tendenciosa – e é, totalmente. Não vou negar. Mas é com razão, fundamentada nos números, no que o líder do Brasileiro faz e no que têm apresentado os mais diretos (diretos?!) perseguidores, que estão a 11 (Grêmio, Bota) ou 12 (Atlético-PR) pontos de distância.

O Cruzeiro está mais folgado no primeiro lugar do que colarinho de palhaço. (Essa é antiga.) Não só faz a parte dele, como ocorreu nos 2 a 1 sobre o Internacional, no Sul, como ainda se beneficia dos tropeços dos demais, como aconteceu com o Atlético-PR e com o Botafogo nesta rodada. Ou como vinha ocorrendo com o próprio Bota e com o Grêmio nas anteriores.

A turma de Marcelo Oliveira joga com a autoridade dos que se sabem em melhores condições do que os demais. A equipe altera pouco a maneira de atuar, independentemente do local em que se apresenta. Dá o bote na hora certa, raramente acusa golpes e encontra fôlego para controlar o placar como lhe convém. A corrida pelo título só estimula, em vez de desgastar.

O Cruzeiro apostou – e certo – na pressão que o Inter sofreria em Novo Hamburgo, onde a torcida tem mostrado impaciência com a oscilação. Saiu na frente com Nilton aos 4 minutos do primeiro tempo, tomou o empate com Otávio no minuto seguinte, e garantiu outros três pontos (agora são 53) com Willian no segundo tempo.

Os mineiros tiveram a sensibilidade de manter o Inter em rédea curta. Houve momentos em que o Colorado dominou, pressionou e criou chances. Mas sem jamais tirar o Cruzeiro do prumo. E esse equilíbrio, essa regularidade levam a conclusões tão entusiasmadas – e óbvias – em torno do que o espera daqui até o encerramento da temporada.

Ou você ainda acredita em reviravolta? Sei que há de tudo no mundo e que, em 14 rodadas, muita coisa pode acontecer. Mas, desta vez, tem de acontecer muita desgraça junta, para os lados do Cruzeiro, para que ele fique sem a taça em dezembro.

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