O morde e assopra palestrino

Antero Greco

22 de julho de 2017 | 23h49

Difícil definir o Palmeiras em 2017. Uma tremenda casca de banana, honra a tradição italiana de ser do contra. Na hora em que se crava que vai disparar, nega fogo. Como no Paulistão. Quando se diz que não é favorito, que está por baixo, vai lá e surpreende.

Esta característica apareceu na tarde de domingo, no jogo com o Sport, numa Arena Pernambuco lotada. O local vinha embalado por uma série de bons resultados, se preparava para dar o bote e se fixar na parte de cima da classificação. O campeão nacional de 2016 estava todo esfarelado, com uma dezena de mudanças.

Favorito, portanto, o Leão? Sim, na teoria, e até para muitos palmeirenses, de olho no jogo de quarta-feira com o Cruzeiro, pela Copa do Brasil. Mas a prática foi diferente.

O time que Cuca escalou jogou mais do que a turma de Vanderlei Luxemburgo, sobretudo no primeiro tempo, no qual construiu a vantagem definitiva. Em vez de esperar o Sport vir pra cima, “propôs o jogo” (para usar expressão da moda), atreveu-se, ficou mais com a bola. Levou preocupação para a defesa e para o goleiro Agenor.

O meio-campo com Jean, Bruno Henrique, Thiago Santos foi seguro, enquanto Keno, Erik e Deyverson tiveram boa participação na ajuda para fechar espaços. A defesa ficou à vontade para anular a movimentação de Diego Souza e André. O goleiro Jailson apareceu pouco, e bem.

A postura serena do lado verde foi determinante para preocupar o Sport. E se tornou intransponível depois dos gols, o primeiro, de Bruno Henrique (33 minutos) e o segundo, de Keno (47). O Sport mexeu, correu, tentou pressionar na segunda parte, mas o máximo que conseguiu foi uma bola na trave.

O Palmeiras todo revirado lembrou superou com elegância o desafio e agora, com o retorno de muitos titulares (afinal, quem é mesmo titular nesse grupo?), tem a missão de permanecer vivo na Copa do Brasil. O que esperar no meio da semana? No mínimo, fortes emoções.

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