Palmeiras, a inútil entrega de um time sem rumo

Antero Greco

16 de setembro de 2012 | 20h01

O dérbi paulista não havia acabado. Ainda faltavam alguns minutos para o apito final. Mas torcedores do Palmeiras ou abandonavam o Pacaembu, ou ficavam com o olhar perdido para o gramado ou choravam. O sentimento comum, porém, era a constatação de que os 2 a 0 para o Corinthians representavam mais um gigantesco passo para a Série B. Para viver drama e humilhação semelhantes àqueles de dez anos atrás.

Pois o Palestra caminha para o purgatório mais uma vez. Tudo conspira nesse sentido. O time é fraco, embora combativo, e agora está mais perdido sem Felipão; sofreu demais com contusões e suspensões; foram diversos os episódios de erros de arbitragem; o estado emocional virou um pandareco, sobretudo porque diminuem as oportunidades de reação, à medida que o torneio avança para o encerramento.

O Palmeiras do interino Narciso jogou na base da entrega, da correria e da força de vontade. Mas não da técnica. Os jogadores tentaram compensar no suor a qualidade e a tranquilidade que lhes faltam neste momento. Não conseguiram, sobretudo a partir do momento em que ficaram dez em campo, com a expulsão de Luan aos 26 minutos.

E aqui cabe um comentário à parte. Luan recebeu o primeiro amarelo, logo no início da partida, porque o juiz Marcelo Ribeiro de Souza interpretou, equivocadamente, que ele tentou cavar pênalti. Não tentou. Depois, mostrou o segundo e por extensão o vermelho, ao considerar violenta a dividida com Guilherme. Não foi também.

No entanto, errou entre um cartão e outro quando apenas conversou com Luan, que foi armar confusão com Romarinho após o primeiro gol do Corinthians. O atacante palmeirense se irritou com o que interpretou como desrespeito, porque o corintiano beijou o escudo do time dele perto da torcida do Palmeiras. Se Luan tivesse sido expulso naquele momento, não teria sido um exagero.

Mas Luan foi apenas o reflexo do time: nervoso, amedrontado, acuado com a possibilidade de rebaixamento. O Palmeiras se comportava relativamente bem até tomar o gol, como tem acontecido com frequência nesta fase de ladeira abaixo.

Depois, o filme fica repetitivo: bate insegurança, as jogadas e os chutes saem afoitos. É um desmanche só. Sobraram erros palmeirenses no Pacaembu, aí incluído o segundo gol, quando João Vítor perdeu bola boba, dominada, permitiu o contragolpe e Paulinho completou, com calma, com eficiência. E foi isso do outro lado: um time seguro, que sabe o que quer, que não se abala com o drama do rival.

A esperança não morreu, ok. Nem seria justo falar que a queda é irreversível, pois há muitos pontos em disputa. A projeção fria, porém, indica que o caminho é a Segundona.

PS. Na noite de domingo, um bando invadiu restaurante onde estavam dirigentes do Palmeiras e depredou o local. Esses não são torcedores, mas criminosos. A violência é estúpida, linguagem de covardes e não resolve.

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