O Palmeiras e o patrocínio ao apito

Antero Greco

10 de abril de 2015 | 14h23

A Federação Paulista de Futebol conseguiu agitar, por um aspecto negativo, a reta final do Campeonato Paulista. E, de quebra, coloca o Palmeiras no rolo, sem que o clube tenha a ver alguma coisa com a história.

Você sabe a que me refiro? Claro, ao patrocínio à arbitragem a partir deste final de semana, quando começam as disputas das quartas de final do Estadual.

Colocar anúncio no uniforme de suas senhorias até que não tem nada de mais. Isso acontece em muitos países. O problema foi o parceiro encontrado pela FPF: a Crefisa, por acaso a principal anunciante do Palmeiras, um dos candidatos ao título, clube que investiu forte em contratações; portanto, ávido por ter retorno em todas as competições de que participar.

A entidade garante que o acerto não terá a menor influência no resultado do Paulistão – e, em princípio, não se deve colocar tal afirmação em dúvida. Alguns dos concorrentes disseram o mesmo, como forma de não alimentar polêmicas.

Mas elas surgiram, o que era inevitável. Só com muita ingenuidade, ou cara de pau, para achar que a coincidência passaria em branco. Desde quinta-feira, se espalham dúvidas. A principal: e se o Palmeiras for beneficiado por alguma decisão equivocada de arbitragem? Como é que fica? Os erros são corriqueiros, a gente sabe; mas como evitar eventuais comparações?

Inverto a pergunta: e se o Palmeiras for prejudicado por erro de arbitragem? O que também não é fora de propósito. Imagino que tenha juiz que, para não ser visto como comprometido, possa ficar com receio de dar um lance duvidoso para o Palmeiras com medo de críticas.

Resumo da ópera: sobrou para o Palmeiras, que faz trabalho árduo de reconstrução e tem sua rotina alterada por essa desastrada jogada de marketing, que não acrescenta à Crefisa e pouco alivia os cofres da FPF.

Resta torcer para que não haja nenhum senão e o Paulistão termine bem. Mas que falta tato para esse pessoal, não há dúvida.