O Palmeiras tem saída?

Antero Greco

30 de agosto de 2012 | 12h30

As perguntas já andam na boca dos palestrinos: “Esse time tem saída? Vai cair de novo?” O que antes parecia uma catástrofe distante, um tufão daqueles que estão no outro lado do mundo, agora se aproxima com intensidade. Já são 12 derrotas em 20 rodadas e a permanência angustiante na zona de rebaixamento. O time continuará no grupo de baixo, mesmo que venha a bater o Grêmio, no duelo marcado para a tarde de sábado.

O Palmeiras tem saída, apesar de tudo. O time não é nenhuma maravilha, mas igualmente não é o horror que o desempenho atual dá a entender.  Em algumas derrotas recentes, como a do domingo diante do Santos,  jogou bem, criou, teve chances de garantir vantagem na primeira parte. Caiu na segunda metade e não teve forças para reagir ao ficar em desvantagem.

Quadro parecido aconteceu na quarta-feira, diante da Lusa. Com uma diferença, para pior: na primeira parte, foi razoável. Na segunda, péssimo. Ficou como barata tonta, à medida que a Lusa fazia gols. Os 3 a 0 foram até pouco.

A instabilidade emocional é ponto que Felipão precisa atacar com urgência. O medo de cair de divisão aos poucos toma conta do elenco. O nervosismo e a tensão voltam a fazer parte da rotina alviverde – e só tendem a aumentar, à medida que as rodadas avançam. Se isso não parar agora, vira uma bola de neve daquelas que crescem e provocam tragédias.

É bom lembrar da fragilidade desse grupo, pois é o mesmo que no início do ano desandou após perder para o Corinthians no Campeonato Paulista.  Até então, sustentava uma admirável série invicta, parecia candidato certo ao título. Bastou um tropeço para mandar a confiança para o espaço. E a autoestima só foi recuperada com a conquista da Copa do Brasil.

Jogadores desacreditados cresceram, com o título, e o time deu sinais de que se recuperaria no Brasileiro com facilidade. Por enquanto, isso não saiu da teoria. A prática tem mostrado  uma equipe que oscila, vai do muito bom ao péssimo no mesmo jogo. Acrescentem-se a isso as baixas fora do normal (absurda a quantidade de contusões), erros de arbitragem (não justificam, mas têm seu peso) e a qualidade do elenco.

Ainda acredito que o Palmeiras se salve – e, se isso ocorrer, será no sufoco, talvez nas últimas rodadas. Se se livrar o susto, terá de agir com seriedade e mexer no grupo para o ano que vem. Para evitar fiascos na Libertadores e demais competições.

Em todo caso, não custa nada ao torcedor neste momento acender algumas velinhas para os santos de devoção. Servem os tradicionais, San Gennaro, Madonna de Achiropita, Santo Expedito…

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