O protesto parcial da torcida do São Paulo

Antero Greco

24 de junho de 2012 | 01h40

Os torcedores do São Paulo andam aborrecidos, o que é compreensível, pois o time neste ano já frustrou expectativas no Estadual e na Copa do Brasil. Dá para entender que estejam na bronca e vaiem seus representantes. Como ocorreu na noite deste sábado, na derrota por 1 a 0 para a Portuguesa, no clássico disputado no Canindé.

O que me chamou a atenção, no protesto que se ouviu do começo ao fim, foi o fato de não ter sido generalizado. Os alvos de descontentamento foram jogadores (quase todos) e o técnico Emerson Leão, um dos vilões da hora, no Morumbi, ao lado de Luís Fabiano.

Os dirigentes, no entanto, passaram ilesos. Não se ouviu a voz das arquibancadas vociferar contra o presidente nem contra seus auxiliares diretos. A cartolagem foi poupada da ira dos fãs. O que é incomum em momentos de crise. Nessas horas, quem comanda clubes entra no rolo, é cobrado e passa apuros. Não é o caso, pelo jeito, dos mandatários tricolores.

Bom ficar claro que acho indelicado – e, em geral, injusto – esse tipo de comportamento. Vaias são um recurso válido, para quem não se sente recompensado pelo espetáculo. Mas ofensas doem e ninguém tem o direito de ser grosseiro com profissionais.

A maioria dos jogadores do São Paulo (e de qualquer time) faz o que pode. Não se percebe ninguém a levar os jogos na base do corpo mole. Há muita intranquilidade no ar, e ela tende a crescer, se a hostilidade se mantiver. A instabilidade ficou evidente diante da Lusa – e a equipe de Leão sucumbiu na etapa final, sobretudo depois de levar o gol de Ivan aos 11 minutos.

Claro que faz parte da rotina insana pressão sobre atletas e treinadores. Para mim, está evidente que a batata do treinador já começou a assar. Leão não é nenhum novato e já percebeu isso. Da mesma forma, alguns boleiros também sentem que a perseguição crescerá, se os resultados não vierem. Ou se não houver trégua com a torcida.

Trégua que, por milagre, parece ter sido concedida apenas para os cartolas. Que coisa…

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