O que falta para Jesus?

Antero Greco

30 de junho de 2016 | 22h00

Ah, o menino é genioso! Toda hora reclama da arbitragem. E parece que está sempre choroso com aquelas sobrancelhas grossas.

Tudo bem, ainda é novo, pode corrigir fácil, fácil esses problemas de comportamento imaturo. Mas em campo, o que falta além da vivência?

É frio como matador do velho-oeste para empurrar a bola para o gol, não tem medo de zagueiro botinudo, dribla como poucos, é veloz e é corajoso.

“Tudo isso é verdade, mas não cabeceia…” – podiam dizer até a noite desta quinta-feira os mais desconfiados. Mas até isso ficou para trás, depois dos 4 a 0 sobre o Figueirense, que levaram o Palmeiras à liderança isolada do Brasileiro, com 25 pontos em 12 rodadas.

Os alviverdes têm ainda o melhor ataque (26 gols) e o artilheiro Gabriel Jesus com 9 gols marcados – um deles de cabeça. Não uma cabeçada comum, em jogada também incomum: Dudu tocou para Zé Roberto, que cruzou com precisão para a chegada do camisa 33 subir como os velhos centroavantes. Girou a cabeça no ar e desviou do goleiro Gatito Fernandez – terceiro gol do Palmeiras na partida. Lembrou antigos artilheiros históricos do clube, que cabeceavam como ninguém: Luizito Artime e Leivinha.

E já aos 45 minutos do segundo tempo, ainda teve faro de goleador para tocar para as redes: o quarto gol, comemorado com um abraço em outro juvenil, o meia Vitinho.

Tudo indica que Gabriel Jesus vai completar um campeonato para ninguém discutir o seu futebol. Vai desfalcar o time durante a Olimpíada, pois é peça importante na seleção nacional. E é gostoso ficar imaginando do que será capaz ao lado de Neymar.

Se o futuro do menino parece traçado, o do Palmeiras no campeonato vai depender do técnico Cuca achar o equilíbrio que a equipe não mostra. Em casa, é um time. Fora dele é outro: meio acovardado, perdido, sem elo de ligação com o ataque.

Talvez seja questão de entrosamento, que virá com o tempo. Talvez seja questão emocional: alguns times são leões em casa e gatinhos no campo inimigo.

Agora é esperar para ver.

(Com participação de Roberto Salim.)

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