O que mais falta acontecer no Palmeiras?

Antero Greco

12 de outubro de 2011 | 13h35

Escrevi diversas vezes aqui que o Palmeiras se desintegra, que sua história centenária sofre agressões permanentes, sob o olhar complacente e omisso de quem deveria preservá-la. A briga em que se envolveu  João Vítor e o afastamento de Kleber do grupo que na noite desta quarta-feira enfrentará o Flamengo são os dois episódios mais recentes da decadência. Para piorar, a perspectiva é de agravamento da situação.

A discussão e pancadaria entre João Vítor e torcedores, na loja oficial do clube, mostram a que ponto chega o descontrole de ambos os lados. Os atletas há muito não se sentem seguros de atuar numa equipe carente de títulos, sem rumo na política e com diretoria inábil. Os fãs acumulam frustrações, percebem que o time regride, enquanto rivais crescem. Entra ano, sai ano, e é só amargura. As conquistas parecem apenas coisa do passado – e um passado escondido, já que os troféus estão amontoados em caixas num depósito qualquer na cidade. Daí, se procura um bode expiatório, que pode ser um João Vítor, jogador sem expressão.

Em vez de partirem sinais de pacificação e ousadia, o que vem do clube são apenas novos indícios de atritos e briga pelo poder. A cartolagem parece mais preocupada com sua vaidade, com os compromissos com grupelhos e sabe-se lá com que mais. Respeito às tradições do Palmeiras é tema relegado a segundo plano, bobagem para ‘românticos’ perderem tempo.

 Tempo quem perde é a agremiação, ao ainda dar espaço para gente que há muito deveria ter tirado o time de campo e aproveitar o que o clube lhe proporcionou. Gente que já usufruiu demais do Palmeiras, e que no entanto não sai de cena. Gente que se sustenta só por estranhos acordos políticos. Gente que não está nem aí para o mal que desencadeia. Gente que é responsável por essa tensão que descamba para violência.

Para entornar o caldo de vez, o futebol está à deriva. Quem deveria mandar só tem conversa mole, se esquiva em situações delicadas e larga tudo nas mãos de Felipão. O técnico passou a exercer funções que não seriam suas, dá declarações fortes, entra em atritos com jogadores, já não tem a coesão no elenco e não consegue obter resultados positivos em campo. Daí os choques com jogadores, as caras feias pra todo lado. É um círculo vicioso sem fim.

 E qual a postura da diretoria, mais uma vez? Respostas vagas, como na explicação do afastamento de Kleber e na nota oficial sobre a confusão com João Vítor (vai esperar as investigações). Vão plantar batatas!, como diria o pessoal do Bom Retiro, onde havia palestrinos de verdade.

 

 

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