O Real imaginou que fosse bater o Barça. Imaginou errado

Antero Greco

10 de dezembro de 2011 | 23h05

Imagino como são complicados os dias que antecedem um jogo contra o Barcelona. Técnico e jogadores do time rival passam horas discutindo o sistema de jogo de Messi e sua turma, veem teipes, ensaiam jogadas, estudam armadilhas, repassam tudo o que foi combinado e vão para campo sabendo o que devem fazer. Até tentam, e em geral no final saem derrotados. Deve dar uma raiva…

Pois esse roteiro certamente foi seguido à risca, ao exagero até, pelo Real Madrid. O perfeccionista José Mourinho deve ter pilhas de anotações sobre o maior tormento de sua carreira. Tenho certeza de que analisou os mínimos detalhes, do sistema de jogo ao batimento cardíaco de Xavi e Iniesta. Traçou um roteiro infalível para a vitória no superclássico deste sábado no Santiago Bernabéu. E quebrou a cara, como todo mundo…

O Real teve o gostinho do sucesso com menos de 30 segundos, com o gol de Benzema, após reposição desastrada do goleiro Victor Valdez. Os 80 mil torcedores madridistas que lotaram o estádio devem ter pensado: “É hoje!” E o Real, a bem da verdade, segurou as pontas por 20 minutos, mais ou menos. Nesse tempo, o Barça estava grogue por causa do gol fora de roteiro.

Mas assim que passou o susto, o Barcelona retomou o curso normal das coisas e tratou de fazer o que mais sabe: enrolar o rival, com trocas de passes e deslocações. Não foram tão acintosas, como de costume, porque o Real fechava espaços, mas deram o ar da graça. E, quando Messi teve um mínimo momento de folga, enfiou bola para Alexis Sanchez empatar. E participou do lance do terceiro gol. Em compensação, Cristiano Ronaldo nem despenteou o topete.

A igualdade abalou o Real, que não se encontrou mais. Perdeu a confiança e o jogo. A virada veio na etapa final, com os gols de Xavi (chute de longe que desviou na defesa) e de Fábregas. O Barcelona poderia ter feito até mais, porém tirou um pouco o pé e ainda teve Casillas com defesas importantes.

Assim, lépidos e fagueiros, Messi, seus companheiros e Guardiola embarcam para o Japão. Vão para um Mundial de Clubes com a consciência de sua força e poder de destruir defesas. Tomara que, por esses mistérios que o futebol tem, tropecem no dia 18, de preferência com o Santos pela frente. Difícil, eu sei. Mas não impossível.

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