O São Paulo pirou

Antero Greco

09 de novembro de 2015 | 23h08

Se alguém tinha dúvida de que o São Paulo entrou para a vala comum dos clubes sem rumo, depois desta segunda-feira passa a ter certeza. A demissão de Doriva do comando do time, feita na base do vapt-vupt pela diretoria recém-empossada (ou recém-retornada, vai entender?), mostra como planejamento e coerência andam em falta no Morumbi. Chamaram o rapaz um mês atrás e o dispensam depois de sete jogos (duas vitórias, um empate e quatro derrotas). Uma esculhambação.

A alegação foi a de que Doriva não tem o perfil para dirigir o São Paulo em 2016  e, por isso, se optou por iniciar logo a reformulação. Que planejamento se faz com Milton Cruz como interino pela enésima vez e sem um nome definido para ser o “titular” da Comissão Técnica? O que bateu na diretoria foi medo de que não se consiga nem vaga para a Libertadores. Sem contar que tem aí uma ponta de vingança, pois Doriva foi chamado por Carlos Miguel Aidar.

O São Paulo agiu, neste ano, como qualquer time de segunda linha. O que seria inconcebível, tempos atrás, agora virou rotina. Se antes era modelo de gestão e modernidade, agora comete erros que rivais como Palmeiras e Corinthians abandonaram no passado. O clube é um balaio de gatos, nos bastidores e dentro de campo.

Quando se imaginaria que, numa mesma temporada, o São Paulo fosse ter quatro técnicos? Nunca. Mandou embora Muricy Ramalho, arriscou-se com Juan Carlos Osorio (que percebeu logo a furada em que tinha se metido e aceitou proposta do México), apelou para Doriva (com trabalho interessante na Ponte Preta) e termina com Milton, o bombeiro de sempre.

Não teve nem a delicadeza de deixar Doriva nos jogos restantes, pois ele herdou um elenco e um time montados (ou remendados) de seus antecessores. Não faria diferença alguma e seria uma demonstração de elegância e respeito. Quer dizer, se fosse o São Paulo de outra época…

E assim se passa mais um ano em branco. Vale lembrar que, desde o tri brasileiro de 206/07/08, o São Paulo ganhou apenas a Sul-Americana de 2012, e com uma final pra lá de esquisita, com um timeco argentino (Tigre) e interrompida no intervalo.

 

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