O tempo passa e a seleção não encorpa

Antero Greco

14 de agosto de 2012 | 22h31

Já faz algum tempo, a seleção virou sinônimo de estorvo. Antes, ter um jogador do time do coração convocado para vestir a “amarelinha” era motivo de orgulho. Hoje em dia, virou aporrinhação. Porque o rapaz é chamado, viaja, treina, concentra, desfalca o clube de origem e nem sempre é aproveitado. Quando não volta contundido – ou negociado para o exterior. Enfim, uma chatice.

Mas fora de propósito mesmo é o amistoso desta quarta-feira contra a Suécia, em Estocolmo. O joguinho serve para marcar o adeus ao Rasunda, estádio lendário em que o Brasil conquistou, em 1958, o primeiro de seus cinco títulos mundiais. A arena virou sucata e, como está em área importante, vai abaixo para se transformar em condomínio.

Para o enterro simbólico foi chamado o Brasil, para relembrar a final feita justamente com os donos da casa, vice-campeões naquela oportunidade, para nunca mais brilharem tão intensamente. A CBF, claro, não deixaria passar em branco a chance de faturar. A seleção precisa rodar o mundo, sempre, incessantemente, sem parar…

Jogar neste momento é um desgaste descenessário. A maioria dos moços que está na capital sueca passou período longo em Londres e anda de cabeça quente com a derrota para o México, na final olímpica. Se ocorrer novo tropeço, o que não é nada improvável, vão ficar com moral lá embaixo. E o Mano mais ainda.

O melhor era todos serem dispensados – ou, se a partida fosse mesmo imprescindível, que se chamasse outra turma, que não teve nada a ver com o que aconteceu nas últimas semanas. Não era a solução, porém um paliativo e uma maneira de dar descanso aos demais.

Independentemente da oportunidade da partida, o que preocupa é a indefinição em torno do Brasil para a Copa de 2014. Mano está no comando há dois anos e até agora o esboço de equipe é de deixar com um pé atrás. A base é a que esteve na Olimpíada – e daí a razão para cautela e prognósticos pessimistas.

O grupo mostrou méritos, mas teve realçados os defeitos. Não dá para vislumbrar, por ora, um líder, um astro que sobrassaia, que chame para si a responsabilidade. Acho prematuro e injusto colocar tudo em cima de Neymar, de Oscar, de Leandro Damião ou de qualquer outro. (E os outros são apenas medianos.)

Mano testou dezenas de jogadores nesses 24 meses – de Ronaldinho Gaúcho e Robinho a Jucilei, Ederson, Carlos Eduardo, Luiz Gustavo, Renato Augusto, Douglas. Chamou veteranos de Copa, como Julio Cesar, Lúcio, Maicon a novatos como Casemiro, Elias, William, Ralf, Wesley, Philippe Coutinho.

Apostou um tempo em André Santos, para nunca mais convocá-lo. Ficou de olho em Hernanes, Fernandinho, Thiago Neves, Fred e em seguida abandonou a ideia de tê-los no grupo. Com isso, o tempo passa e o Brasil não tem cara.Ou melhor, o esboço dá calafrios…

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.