Obrigado, capitão Zito

Antero Greco

15 de junho de 2015 | 00h33

A rapaziada de hoje conhece até o reserva do zagueiro do time juvenil do Shandong Luneng. Sem contar que tem na ponta da língua os nomes dos capitães de Barcelona, Bayern, Real, Manchester United e tantos outros times da moda mundo afora. Bacana, isso é consequência da globalização do futebol e das infinitas opções para ver estrelas internacionais em ação.

Fico na dúvida, porém, a respeito de quantos conhecem, mas conhecem de fato, quem foi José Eli de Miranda, na arte da bola conhecido por Zito. Pois afirmo, para quem não saiba, que foi um gigante, um dos maiores volantes de seu tempo. O quê? Um dos mais brilhantes jogadores de meio campo de todos os tempos. Sem favor nenhum, muito menos exagero sentimental.

Zito pôde ostentar muitos complementos – mestre, guia, líder, comandante – e todos lhe caíam bem, eram adequados ao personagem. Mas Zito foi sobretudo capitão, O capitão, do maior Santos da história. O Santos dos anos 1950/60, em que brilhavam estrelas como  Gilmar, Dorval, Lima, Mengálvio, Coutinho, Pelé, Pepe.

Uma coleção de gênios, de artistas, de globetrotters da bola. Com Zito a liderá-los. Para aquele Santos, era indiferente jogar na Vila, no Pacaembu ou Presidente Prudente, na disputa do Paulista, como ir para o Maracanã enfrentar o Milan pelo mundial de Clubes ou perambular por Europa, África, Ásia, Américas para que as plateias pudessem apreciar seus shows.

Zito era sério, ranheta, aplicado, marcador implacável e bom, bom demais. Não era a versão deturpada dos volantes que nas décadas seguintes viraram cães de guarda das defesas. Zito era o coordenador daquela turma, a voz que falava grosso em campo. Era quem dava broncas tremendas num tal Pelé e… o rei aceitava, na boa, sem contestar.

Zito foi bicampeão mundial. Em 1958, na Suécia, entrou a partir do terceiro jogo (2 a 0 na URSS), junto com Pelé e Garrincha. Quatro anos mais tarde, no Chile, foi titular do começo ao fim. Na decisão, contra a antiga Checoslováquia, fez um dos gols nos 3 a 1.

Mais do que seleção, Zito era sinônimo de Santos, o clube do qual nunca se distanciou. Nem se poderia dissociar um do outro; não faria sentido. Parceria que durou para sempre.

Zito morreu neste domingo, aos 82 anos. Deixa como herança a emoção que proporcionou a todos que curtem futebol e tiveram a felicidade de vê-lo em campo.

Vai em paz e obrigado, capitão!