Oswaldo, saída inevitável

Antero Greco

09 de junho de 2015 | 13h55

A maioria das demissões de treinador ocorre por medo dos dirigentes. Temem que uma série de resultados ruins complique a situação do time, provoque a raiva da torcida e, por extensão, pressão sobre si próprios. Dispensam o “professor”, pois é mais fácil do que mandar embora elenco ou entregarem os cargos no clube.

Há situações, porém, em que é compreensível a ruptura, embora se possa discutir se foi justa ou não. Neste caso se inclui Oswaldo Oliveira. A saída dele do Palmeiras, após meio ano de trabalho, parecia inevitável. A equipe não se ajustou, mesmo com duas dúzias de novos jogadores contratados desde janeiro, os resultados ruins se acumulam e, acima de tudo, vem o medo de fantasmas de passado recente.

O Palmeiras é traumatizado por campanhas sem brilho e, mais do que isso, por rebaixamentos. Foram dois (2002 e 2012), fora alguns sustos, como o do ano passado. Ao trazer um monte de atletas – vários com qualidade discutível –, os dirigentes calculavam o surgimento de um grupo forte em curto prazo.

Esse era o desafio proposto a Oswaldo, e ele não respondeu à altura. Em 30 jogos, acumulou 16 vitórias, 7 empates e 7 derrotas. Se no Estadual, veio o vice-campeonato, no Brasileiro a largada foi péssima, com 3 empates, 2 derrotas e só a vitória diante do Corinthians.

Mais do que números, importam outros aspectos. O principal deles: o Palmeiras não tem padrão, não tem uma maneira de jogar. Vai além: não tem uma formação titular. Não vale a papo de mudanças por contusão, convocações, suspensões.

Oswaldo vacilou. O período de observações e experiências deveria ter terminado em meados de abril, quase dois meses atrás. Não havia como esperar indefinidamente, pois o palmeirense tem pressa. E, repito, medo de fiasco. Acrescente-se aí a simpatia de Alexandre Mattos por Marcelo Oliveira, com quem trabalhou no Cruzeiro, e o quadro para a dispensa se completa.

Por falar em realidade, não vai demorar também para vir à tona o fato de que muitas contratações não compensaram. Não se pode esperar grande qualidade quando há enorme quantidade. Nisso Paulo Nobre e Mattos têm responsabilidade.

 

 

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