Palmeiras desce a ladeira e o São Paulo respira

Palmeiras desce a ladeira e o São Paulo respira

Antero Greco

19 de setembro de 2010 | 20h15

O jogo que Palmeiras e São Paulo disputaram neste domingo no Pacaembu mostrou o que cada um dos velhos rivais ainda pretende alcançar no Campeonato Brasileiro de 2010. A turma do Parque Antarctica descarrila e começa a olhar com mais freqüência para a rabeira – pra sua sorte, tem concorrente em situação bem pior. No momento. O pessoal do Morumbi voltou a ficar animado, depois dos 2 a 0, o time está mais próximo da parte alta da classificação e sonha de novo com melhor sorte, que sabe até com Libertadores.

A proposta de ambos ficou clara desde a escalação. Sérgio Baresi achou mais prudente optar por 3-5-2 (às vezes, 3-6-1, com Fernandão sozinho na frente), com o aproveitamento de Rodrigo Souto (de cabeça raspada) como zagueiro, ao lado de Miranda (com cabeça enfaixada) e de Alex Silva (com hematoma no olho). O trio avariado deu conta do recado. O Palmeiras entrou em campo com a habitual tropa de volantes. Na frente, só Ewerthon e Tadeu. Valdivia com a incumbência de ser o regente de orquestra desafinada.

Com tanta preocupação por marcação de lado a lado, o primeiro tempo foi fraco, com muitas faltas e poucas chances de gol. Um jogo à altura do momento sem brilho que vivem os dois times, transformados em coadjuvantes na Série A deste ano. Aos 19 minutos, o São Paulo perdeu Ilsinho, por contusão, e o Palmeiras pouco depois ficou sem Ewerthon, também machucado. No fim das contas, quem sofreu mais foi o Palmeiras, porque Zé Vitor entrou bem no São Paulo e Tinga só achou o caminho do vestiário, no fim do jogo. No mais, se perdeu.

O rumo do jogo foi definido por Lucas, que até o meio da semana era Marcelinho. O rapaz comeu a bola, desmontou o esquema defensivo do Palmeiras, marcou um, participou do gol de Fernandão, e saiu no fim, cansado mas aplaudido pela torcida do São Paulo. É o mais novo ponto de referência da equipe.

O Palmeiras mostrou de novo desorganização – mais pra bando de amigos em pelada de fim de semana do que time de futebol. Bonito, mesmo, apenas o uniforme, que remeteu a 1942, ano em que mudou de nome por causa da guerra. Defesa confusa, meio-campo repleto e instável, ataque inexistente. Valdivia esqueceu a magia no Oriente Médio, Tadeu está perdido e Luan (que entrou na metade do segundo tempo no lugar de Márcio Araújo) justifica por que não teve espaço nem no inexpressivo Toulouse. Felipão reclama, lamenta os erros, mas não consegue encontrar padrão de eficiência à altura de sua história e a do Palmeiras.

O clássico já foi chamado, em outros tempos, de Choque-Rei, pela altivez das duas equipes. O apelido pomposo não faz mais sentido, porque uma delas perdeu a majestade – e não é de agora. Acertou quem cravou Palestra.

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