Palmeiras e a rotina de show de horrores

Antero Greco

07 de junho de 2015 | 21h39

Meu amigo, tenho a impressão de que a vitória do Palmeiras sobre o Corinthians, uma semana atrás, enganou muita gente. Após a apresentação segura no dérbi paulista, parecia que a turma de Oswaldo Oliveira finalmente entraria nos eixos e justificaria a euforia da torcida. Engano. Vacilou diante do Inter, em casa, e deu um show de futebol confuso e ruim, na derrota por 2 a 1 para o Figueirense, na noite deste domingo, em Florianópolis.

No primeiro tempo, o Palmeiras até que foi razoável. Ficou na base do meio alice, meio muzzarela. Tomou susto com o gol do Figueira aos 7 minutos (Carlos Alberto, em vacilo de Prass), mas reagiu logo e empatou aos 11 (Gabriel, num bonito chute de fora da área). Em seguida, equilibrou e o jogo ficou lá e cá. Sem muita emoção, tampouco com sonolência.

Na etapa final, deu nova demonstração de que pode tirar o sono e a paciência do público. Nem tanto pelo gol de Thiago Santana (aos 18) que significou a segunda derrota em seis jogos no Brasileiro (mais três empates e apenas uma vitória). Mais pela fragilidade, inconsistência, falta de apetite, de pontaria, de tranquilidade.

O Palmeiras foi horroroso, um amontoado em campo. A troca de passes, em vez de ser um requinte tático, estratégia de jogo, não passou de falta de saber o que fazer. Como sempre, ninguém chutou, não houve um que tomasse a iniciativa de liderar. Dudu, aquele do chapéu nos rivais, Kelvin, Arouca, Rafael Marques, Cristaldo, Zé Roberto… Ninguém chuta!

A impressão é a de que cada jogador palestrino trata de tocar a bola pro companheiro pra se livrar dela. Todo mundo com medo. Vai ver é item do contrato: atleta do Palmeiras se compromete a não finalizar. Não tem obrigação disso. Toca de lado e está tudo em ordem.

Oswaldo impassível à beira do gramado, olhar divagando, como se de um momento para outro viria o estalo de gênio, a solução para os problemas. E nada acontece. Ou antes, acontece sim: outra derrapada verde e mais um degrau ladeira abaixo. O Figueira não tem nada com isso e, dentro das limitações, ganhou outra como mandante e passou o próprio Palmeiras.

Palmeiras, o clube que mais contrata no Brasil. Deve ter uns 50 no elenco. Só falta ter time.