Palmeiras e o tropeço em boa hora

Antero Greco

15 de fevereiro de 2018 | 23h29

Caro amigo palestrino, você gostaria que seu time ganhasse todas? Pergunta desnecessária, com resposta óbvia. Ainda mais quando vem embalado, joga em casa, contra adversário tecnicamente inferior. Enfim, só festa.

Era esse o panorama para o duelo com o Linense, na noite desta quinta-feira, no Allianz Parque. De um lado, o líder com seis vitórias consecutivas. De outro, um franco-atirador, sem maiores pretensões. Tudo levava a crer que seria outro sparring fácil de derrubar. Sensação que aumentou após o gol de Borja logo aos 4 minutos.

Ilusão.

A vantagem estufou a autoconfiança do Palmeiras, que chegou a ter mais de 70% de posse de bola, como se isso fosse indício de superioridade absoluta. Só que, aos poucos, o Linense equilibrou, avançou, empurrou o rival para o próprio campo. Ficou cheio de graça. E empatou pouco antes do intervalo, com Adalberto.

Deu uma esfriada na turma verde.

No segundo tempo, o roteiro parecia repetir-se, ao menos em parte. A parte boa, com outro gol de Borja e os 2 a 1 no placar, após eficiente jogada de apoio de Marcos Rocha. O Palmeiras estava mais ligado do que na etapa inicial.

Outro engano.

O Palmeiras topou com a marcação insistente do Linense, de novo se viu obrigado a recuar, assistiu a tentativas do visitante e levou o gol do placar definitivo, em chute forte de Murilo, de fora da área. Depois disso, o líder do Paulistão arriou e não criou lances de destaque.

Roger Machado acertou ao manter a estrutura da equipe, com a novidade de Guerra no meio-campo desde o início. O venezuelano foi discreto e participou do primeiro gol. Depois, cedeu lugar para Scarpa, que não teve lances significativos. Ainda entraram Keno (Lucas Lima) e William (Dudu), mudanças que se têm tornado corriqueiras.

As falhas do Palmeiras, hoje: vacilou na marcação, deixou exposta a zaga, criou pouco e, por extensão, finalizou menos do que em outras ocasiões. Chutou menos a gol do que o Linense.

Mas, se serve de consolo, sustenta a invencibilidade na competição. E, com o perdão do lugar-comum, há tropeços que vêm em boa hora. Melhor ceder dois pontos agora, na fase de classificação, do que ser surpreendido nas etapas eliminatórias.

O tropeço serve também para tirar qualquer tentativa de jogadores calçarem salto alto.

 

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