Palmeiras elege presidente e busca o caminho perdido

Antero Greco

19 de janeiro de 2011 | 15h16

Logo mais o Parque Antártica terá agitação acima do normal. Os quase 300 eleitores privilegiados que compõem o Colégio Eleitoral verde vão reunir-se para escolher o novo presidente, o responsável pelos rumos do clube nos próximos dois anos. A briga desta vez foge ao padrão habitual dos pleitos mais recentes, por apresentar três candidatos em vez de apenas dois. Numa divisão simplista, há o representante da situação (Salvador Hugo Palaia), o da oposição (Arnaldo Tirone) e da ala neutra, mezzo alice-mezzo muzzarella (Paulo Nobre).

Quem conhece os bastidores do Palestra Itália sabe que a disputa está quente. Não se descartam surpresas, deserções, traições. Um que prometeu voto pra este pode, em cima da hora, debandar para aquele ou, até, para um terceiro… Nunca se sabe o que se passa de fato na cabeça de conselheiros. O pequeno mundo da política do Palmeiras não é diferente daquele que conhecemos do dia-a-dia. Os conchavos, as promessas, as manobras são idênticas.

A oposição acusa a gestão de Luiz Gonzaga Belluzzo de ter afundado o clube em dívidas. O presidente que está de saída não nega as dificuldades econômicas, mas rebate as críticas, ao garantir que as contas estão sob controle e que o Palmeiras tem crédito. Pode ser. Mas não foram poucos os episódios de atrasos em pagamentos ocorridos nos últimos tempos. Um cenário incomum para a tradição palmeirense.

Belluzzo surgiu com ares de renovação na mofada dança das cadeiras do Palmeiras. Seu nome foi bem recebido pelos torcedores, por considerá-lo um personagem sem os vícios administrativos de vários que o sucederam. Sua gestão teve lances de atrevimento e não se pode negar-lhe amor ao time. Na prática, porém, surgiram os mesmos erros antes combatidos. E o Belluzzo-cartola foi prejudicado, em diversos episódios, pelo Belluzzo-torcedor.

Para complicar, se sentiu traído por Palaia, o vice-presidente que o substituiu durante alguns meses, em 2010, quando ficou fora de combate por questões de saúde. Deixou implícito que não vai apoiar o ex-aliado na eleição de hoje. Por ser o mais velho dos concorrentes, Palaia se julga merecedor da preferência do eleitorado. As projeções, no entanto, o colocam em terceiro lugar. Na prática, mostrou que suas estratégias seguem caminhos desgastados.

Tirone conta com a bênção de Mustafá Contursi e a ala conservadora do Palmeiras. Aquela que coloca o patrimônio do clube acima do time de futebol. E a história do Palmeiras se firmou justamente sobre as conquistas no futebol. Para o torcedor, pouco importam salões, piscinas e quadras. Ele quer títulos, conquistas, que andam em falta. Paulo Nobre aparece como a terceira via, o nome aparentemente desligado dessas duas correntes. Não o conheço pessoalmente, mas, se eu fizesse parte desse Colégio Eleitoral, arriscaria na escolha de mezzo alice-mezzo muzzarella. O Palmeiras precisa é de uma enorme chacoalhão de modernidade.

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