Palmeiras não é sinfônica, mas não desafina

Antero Greco

24 de setembro de 2016 | 21h06

O Palmeiras não é uma orquestra sinfônica, não dá recitais líricos no La Scala, de  Milão. Não tem grandes solistas nem o maestro é o Zubin Mehta. Não enche os olhos e os ouvidos das plateias.

O Palmeiras é um bom time de futebol, um conjunto que toca seus sambinhas sem desafinar. Mantém a ponta num campeonato equilibrado e, a cada rodada, confirma a condição de forte candidato ao título.

Lidera há muita semanas, tem o maior número de vitórias (16), o melhor ataque (47 gols) e uma das defesas menos vazadas (25 gols, como a do Flamengo).

Ou seja, faz o que se espera de uma equipe que luta para botar as mãos na taça: tem regularidade e eficiência. Duas características imprescindíveis, em torneio por pontos corridos, em dois turnos, com jogos de ida e volta, como mandante e como visitante. Há muito se admite que, numa competição desse tipo, a constância, a pouca oscilação ajudam a definir o campeão.

Os rapazes dirigidos por Cuca também seguem outro ponto importante da cartilha do vencedor, ao não desperdiçarem pontos em demasia para a turma que está na parte de baixo da classificação. Também é quesito fundamental, pois se trata de pontos irrecuperáveis. No confronto com o Flamengo, por exemplo, ganhou 4 pontos, enquanto o vice-líder ficou com 1.

O roteiro do sucesso verde teve outro capítulo na tarde deste sábado, no Allianz, nos 2 a 1 sobre o Coritiba, que perambula pela segunda metade da tabela. No primeiro tempo, o desempenho não foi dos melhores. Houve finalizações, várias até, mas a maioria sem direção. Ao gol, pra valer, apenas uma, que o goleiro defendeu.

O panorama mudou na etapa final, na qual apareceram claras oportunidades. O Palmeiras aproveitou duas, com menos de 15 minutos – Leandro Pereira e Mina -, abriu vantagem cômoda, pôde aumentar a diferença e não se abalou sequer ao ver o Coxa esboçar reação, com o gol de Iago aos 26 minutos. Manteve-se senhor da partida.

O Palmeiras nem sempre joga bem. Não é com frequência que esbanja jogo bonito. Tampouco é time meia-boca. Não dá botinadas, não apela para a retranca. Com isso, aumentou para 10 jogos a invencibilidade na Série A (6 vitórias, 4 empates).

No momento, tem quatro pontos de vantagem sobre o Fla (54 a 50), embora muita coisa vá rolar até a última rodada.

De qualquer maneira, inegável, óbvio e evidente que segue em águas claras rumo a bom destino. Ou bonito é fazer só figuração ou lutar pelo rebaixamento?

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