Palmeiras segue firme. Mas tomou sustos

Antero Greco

23 Outubro 2016 | 22h13

Não vou contestar a campanha do Palmeiras. Seria tolice arrumar entraves na caminhada de um time que lidera há 14 rodadas, tem 16 jogos de invencibilidade, melhor ataque e uma das melhores defesas. Não está na ponta do Brasileiro por acaso, por obra “dos deuses do futebol” ou outras bobagens inventadas para dar um toque de mistério ao mundo da bola.

É o primeiro colocado por méritos, pela regularidade, pela qualidade do elenco. Pelo trabalho de Cuca.

Mas, meu amigo, neste domingo teve uns calafrios para bater o Sport por 2 a 1. Tomou uns sustos e ainda contou com uma derrapada da arbitragem, que ignorou pênalti de Mina em cobrança de escanteio. O colombiano subiu para fazer o corte e, mesmo sem intenção, a bola bateu no bração dele todo aberto dentro da área. Na sequência, saiu o gol de Dudu, que abriu o marcador.

O sufoco, na verdade, esteve na postura dos times. O Palmeiras encontrou dificuldade para encaixar o jogo. Ao contrário de diversas outras ocasiões, não imprensou o adversário, não criou muitas chances de gol. E, pior do que isso, deu espaço, viu várias vezes a bola rondar a área e o gol. Jailson teve outra atuação muito boa. Pena que está suspenso para o clássico com o Santos no meio da semana.

O Palmeiras teve o mérito de ser eficiente nas poucas oportunidades que criou, sobretudo no primeiro tempo. Fez 1 a 0 com Dudu, levou o empate com Rogério e no último lance antes do intervalo garantiu o resultado, com gol de Tchê Tchê. No segundo tempo, demorou uns 20 e tantos minutos para arriscar uma finalização. Pouco, para quem jogava em casa e era favorito.

Cuca transferiu para o gramado a dificuldade do Palmeiras, por ser time de tocar a bola. Desculpa que serve até a página 3. Ele sabia que o campo não anda lá essas coisas; portanto, deveria estar preparado para obstáculos. Isso vale como registro, não como demérito. Nenhuma equipe fica tanto tempo no topo se não tiver nível para tal.

O Palmeiras é o mais regular dentre os 20 participantes da Série A. Por isso, surfa rumo ao título. Depende apenas de si, de sua capacidade, de seu autocontrole. Faltam poucos jogos para quebrar jejum de 22 anos.

Não é ilícito o torcedor ter esperança.