Palmeiras sem direito a chorumelas

Antero Greco

05 Março 2018 | 23h02

Tinha um personagem na “Escolinha do Professor Raimundo” – aquela do Chico Anisio – que se chamava Pedro Pedreira. O intérprete era o falecido Francisco Milani. O sujeito era nervoso e enrolador. Diante de afirmações complicadas, ele pedia provas, documentos, depoimentos.

Enfim, queria certezas. E ainda arrematava com um bordão delicioso. “Não me venha com chorumelas!” Quer dizer, sem papo furado.

Pois, ao ver a derrota do Palmeiras para o São Caetano por 1 a 0, na noite desta segunda-feira, no Allianz Parque, me vieram em mente frase e comediante. Não tem desculpa para o tropeço. E, mais do que o resultado, para o futebol pobre apresentado para a plateia.

Não convence dizer que se tratava de mistão, já que os titulares descansam para o clássico de quinta-feira com o São Paulo. Não vale o papo de desentrosamento. Nem a conversa de que o adversário foi lá para jogar “por uma bola” e se defender.

Era obrigação do Palmeiras ganhar. E ele negou fogo. Como aliás, aconteceu nos empates com Linense (em casa) e Ponte Preta, além da derrota para o Corinthians. São quatro rodadas sem vencer. E, ressalto ainda, com futebol pouco convincente.

A turma que Roger Machado colocou em campo em grande parte já foi titular. Prass, Fabiano, Michel Bastos, Guerra, Keno, Tchê Tchê e por aí vai. Fora Scarpa, contratado como a jogada de mestre do mercado da bola em 2018.

Jogadores de elenco badalado, de novo apontado como candidato a papar títulos. Títulos, bom lembrar, que não vieram no ano passado.

O Palmeiras levou o gol aos 6 minutos (Chiquinho) do primeiro tempo, por desatenção total. Meio atordoado, ainda deu espaço para o São Caetano arriscar e quase toma outro. Demorou para acordar e para incomodar, um pouco, Helton Leite, goleiro que se machucou no segundo tempo.

Roger inovou com Guerra centralizado, com Scarpa e Keno pelos lados. Não deu certo, mesmo com o empenho do venezuelano. Mudou na etapa final, com a estreia do jovem Papagaio (no lugar de Guerra), depois colocou Willian na vaga de Tchê Tchê e Moisés substituiu Bruno Henrique. A equipe não se soltou.

Tudo bem que ainda é período de avaliações e testes. Ok que a classificação já está garantida. Isso não invalida a constatação de que, no torneio local, o Palmeiras deu uma baixada tremenda no nível de atuações.

Se Estadual não é parâmetro quando um time vai bem, o que pensar quando começa a ratear? No mínimo, coloca pulga atrás da orelha…