Para ou continua*

Antero Greco

26 Agosto 2015 | 12h58

O quarteto dos principais clubes paulistas entra em campo hoje, e a única certeza é a de que um deles certamente irá adiante na Copa do Brasil. Claro, por causa do duelo entre Corinthians e Santos. Mas as atenções se voltam para a dupla São Paulo e Palmeiras, pelo momento particular que vivem na temporada.

Ambos estimulam dúvidas no lugar de entusiasmo. No Brasileiro têm desempenho parecido – 31 pontos –, estão a 12 de distância da liderança e, com os resultados do final de semana, viram diminuir muito a possibilidade de brigar pelo principal título nacional. Dependem de reviravolta espetacular, a começar por eles mesmos e por infindáveis tropeços de corintianos, atleticanos e gremistas, que estão à frente.

Resta-lhes a Copa do Brasil como alternativa para não amargar outro ano de jejum de taças. Chegou, portanto, o momento do pare ou continue, do vai ou racha. E, mesmo com as diferenças nos placares da semana passada, têm como ponto de convergência a instabilidade. A sutileza, no papel, fica para o fato de o Palmeiras jogar por empate contra o Cruzeiro em BH (ganhou por 2 a 1 em casa), enquanto o São Paulo precisa bater o Ceará, em Fortaleza, pois caiu no Morumbi por 2 a 1.

Nenhuma das duas equipes é confiável, e o torcedor tem consciência disso. A interrogação maior vai para o São Paulo, um poço de indefinições. A equipe de Juan Carlos Osorio lembra o governo federal, imprevisível nos movimentos e ilhado por críticas e restrições. Nunca se sabe se dará bola dentro.

Até os desmentidos de praxe não convencem muito. Após o clássico com o Flamengo, aumentou o zunzum em torno de eventual saída do treinador colombiano por causa de oferta para assumir o comando da seleção do México. Hipótese afastada por Osorio e cartolagem tricolor, que o teria convencido a ficar porque em 2016 surgirá um São Paulo forte, poderoso e letal.

Tomara. A questão maior se refere à convicção de dirigentes, gente muito sensível à pressão das arquibancadas e volúvel como pluma ao vento (obrigado, Giuseppe Verdi). Se o time cair fora da Copa do Brasil e cambalear repetidamente, como tem ocorrido na Série A, será uma prova de palavra e resistência incomum a manutenção de apoio a Osorio. E vice-versa as juras de apreço que ele fez pelo atual empregador.

O São Paulo padece com as infindáveis modificações – sejam motivadas por baixas forçadas como contusões, convocações, suspensões e sobretudo negociações, sejam como consequência da inquietação do professor. A folhinha aponta agosto pronto para ir embora, e alguém sabe declamar a equipe tricolor titular? Não, pois não há.

Nem se discute a dinâmica do futebol. Sabemos que as coisas mudam, os desafios exigem alterações, etc. e tal. O nó está no fato de que não se imagina o que sairá da cabeça de Osorio e o que produzirão os pés dos jogadores. Fato que tem gente a negar fogo na equipe – e não é de agora. Resumo da ópera: trata-se de um São Paulo tão estranho, mas tão esquisito, que pode até voltar de Fortaleza com uma goleada a favor. Ou a eliminação.

O Palmeiras envereda por caminho semelhante – e não por baixas tão acentuadas quanto as do vizinho de centro de treinamento. Apesar da enfermaria lotada, Marcelo Oliveira tem pessoal à beça; o problema é a qualidade. Nem todos que desembarcaram no Palestra, nas baciadas de contratações, dão conta do recado.

As limitações ficaram evidentes no jogo com o Galo, buracos no meio-campo e na defesa desfalcados. Além disso, o Palmeiras sofre com o vício de encolher-se tão logo alcance vantagem, ainda mais se joga como visitante. Daí se repete o filme de pressão insistente e Fernando Prass a fazer defesas ou pênaltis (que os árbitros têm relevado). Qual será o roteiro esta noite?

Alvinegros  – Corinthians e Santos engataram subida no Brasileiro, o que significa que não sentirá o baque aquele que for desclassificado.

*(Minha crônica publicada no Estadão de hoje, quarta-feira, dia 26/8/2015.)